quarta-feira, agosto 24, 2016

(L) «Roderick Hudson» de Henry James

Henry James publicou o seu primeiro romance em 1874, quando estava a decidir-se pela mudança para a Europa.
Compreende-se, pois, a razão de ser de Roderick Hudson o protagonista dessa primeira obra mais ambiciosa. Ele é um jovem advogado, de quem se espera um futuro brilhante, mas decidido a abandonar a carreira, a mãe e a noiva para se radicar em Roma e tornar-se escultor.
Manifestamente autobiográfico, o romance também revisita o passado de James, que ensaiara o talento para as artes plásticas antes de se decidir pela escrita.
Roderick conhece rápido sucesso produzindo obras admiradas pelos seus novos amigos. Até conhecer Christine Light, uma bela jovem, por quem perdidamente se enamora, mas cujos pais destinavam a um príncipe italiano.
Apostados em fazerem-no sair da depressão, que lhe passara a inibir qualquer produção artística, os amigos convocam Mary Garland, a antiga noiva, para o vir consolar, mas o resultado é pífio: para Roderick a comparação entre ela e a bela Christine só agudiza o desgosto de saber esta última no leito de outro homem.
Igualmente chegada a Roma, a mãe convence-o a ir viajar para, porventura, noutras paragens, esquecer o seu desgosto. Mas, por coincidência, Christine e o esposo também estão na Suíça, quando ele ali chega.
Eis então que, enquanto leitores, nos vemos surpreendidos: em vez de pôr Roderick a desafiar o príncipe italiano para um duelo ou a exigir à rapariga, que fuja com ele, ei-lo a cair acidentalmente de um precipício pondo cobro à possibilidade de um desvario ultrarromântico.
Temos, assim, uma história com personagens muito lineares do ponto de vista psicológico, sendo pouco crível que, mesmo por frustração amorosa, alguém caia tão subitamente das mais elevadas e inspiradas alturas para o mais inexorável dos abismos. Trata-se, pois, de obra imatura, mas a anunciar algumas das características principais da obra futura do escritor.

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