terça-feira, dezembro 17, 2019

Inquietações: Quando as ditaduras não se dão conta do seu ridículo!

O futebol pode ser dado a muitos absurdos, a começar pelo ataque de um bando de frustrados à Academia de Alcochete decididos a vingarem-se de quem os andava a fazer infelizes. Mas nenhum jogo conseguiu superar o ridículo, ainda que com contornos trágicos, do ocorrido em 21 de novembro de 1973, quando a ditadura de Pinochet quis exultar com uma gratuita representação da sua «vitória sobre o comunismo».
O golpe de Estado ocorrera dois meses antes e, entretanto, a seleção chilena conseguira empatar com a da URSS em Moscovo por 0-0 em 26 de setembro na pré-eliminatória de apuramento para o Mundial da Alemanha no ano seguinte. Para os soviéticos estava fora de questão, que o jogo da segunda mão ocorresse no Estádio Nacional de Santiago do Chile, nessa altura utilizado como infame centro de detenção, tortura e execução de centenas de apoiantes do regime deposto. Mas a delegação da FIFA, constituída por um brasileiro e por um suíço, não encontrou no local qualquer obstáculo para que o jogo aí ocorresse, apesar da visita de inspeção ter acontecido enquanto os prisioneiros estavam acantonados nas prisões improvisadas debaixo das bancadas. Como de costume a federação internacional do que é tido como o desporto-rei correspondeu nos atos ao que dela sempre se espera!
Quem não esteve pelos ajustes foi a URSS, que manteve a recusa em disputar a partida naquelas condições, razão porque foi eliminada, decretando a FIFA uma vitória por 2-0 a apurar a seleção da recente ditadura. Mas Pinochet não se deu por satisfeito e decidiu organizar um jogo fantasma convocando quinze mil «adeptos» para servirem de figurantes nas bancadas. Em poucos segundos, e trocando a bola entre si, os jogadores chegaram à baliza adversária e marcaram o golo, que servia ao ditador para fazer a sua indigna propaganda.
No ano seguinte Pinochet não teria novos motivos para  celebrar através dessa equipa, porque na Alemanha, viu-a ser eliminada logo na fase de grupos não conseguindo ganhar nenhum dos jogos, mas conseguindo que um dos seus jogadores, Edgar Cazsely ficasse para a História como o primeiro a receber nesse tipo de competição um cartão... vermelho!

segunda-feira, dezembro 16, 2019

Inquietações: A armadilha quando menos se espera


Conhecemos razoavelmente a estrada que, passando por Toulouse, vai desembocar em Grenoble depois de permitir uma espreitadela ao Mediterrâneo, quando se passa ao lado de Montpellier ou de Sète. Recordo, sobretudo a ocasião em que a alvorada irrompeu, quando começávamos a sentir as montanhas do Vercors e as da Chartreuse a rodearem-nos e o vale onde corre o Isère a desenhar-se à nossa frente.
Vínhamos de uma longa viagem, quase sem paragens desde Lisboa, porque ao chegarmos ao hotel previsto para pernoitarmos - em Bayonne - vimo-lo rodeado por forças policiais que nem nos permitiram o acesso nem tão pouco explicaram o motivo de tão singular aparato.
Vem isto a propósito de um documentário dedicado a um dos romances de Jean-Christophe Grangé - «Les Rivières Poupres» - cuja adaptação ao cinema por Mathieu Kassovitz vimos logo no início do milénio, três anos passados sobre a sua publicação em livro. E a surpresa teve a ver com o facto de não ter associado as paisagens do filme com as que, em determinada altura, nos habituámos a transitar entre cá e lá, entre lá e cá.
Agora, à distância, não custa fazer coincidir as imagens vividas com as que ilustravam a investigação dos personagens interpretados por Jean Reno e Vincent Cassel, nem a cidade universitária onde se gizava a conspiração eugenista de cunho nazi com a Grenoble em cujo Laboratório Europeu de Biologia Molecular tínhamos a filha a estagiar. A urbe pareceu-nos tão agradável, que nada nos sugeriria uma sucessão de crimes tal qual o escritor nela fez localizar, mesmo dando-lhe um outro nome completamente diferente.
No entanto, vivemos por essa altura uma experiência, que chegou a ser assustadora e ainda esta semana a resgatámos de duradouro esquecimento enquanto almoçávamos com uma amiga: uma tarde decidimos apanhar o teleférico para a fortaleza da Bastilha situada nos contrafortes da montanha do outro lado do rio. A intenção era vermos a cidade a partir daquele miradouro privilegiado, tirarmos as inevitáveis fotografias e regressarmos a casa a tempo da preparação do jantar. Mas ninguém nos avisou que o trajeto aéreo por cabo ia encerrar-se logo de seguida a pretexto de umas filmagens, que explicavam as movimentações de helicópteros ali à volta. E o crepúsculo começou a impor-se sem que tivéssemos outra alternativa, que não fosse o regresso a pé, atravessando uma floresta labiríntica da qual desconhecíamos qual a direção certa para regressarmos à civilização. Às tantas as luzes da cidade foram-se acendendo e a preocupação avolumava-se quanto a darmos ou não com a saída daquele sarilho.
Grenoble revelava-se uma cidade que, de amigável se transfigurava em fautora de inesperadas armadilhas. E se a história acabou bem, não o posso de todo asseverar, porque a gripe que se seguiu foi uma das mais intensas de quantas sofri...
Ao concluir-se o documentário, que nos remeteram momentaneamente para tais cenários, acabei por reconhecer quão dúplices eles se revelaram, corroborando os fundamentos que terão levado Grangé a ali situar o seu romance.

Inquietações: “Inquéritos” sobre comportamentos sexuais


Não estamos propriamente na época de verão, quando as notícias escasseiam e a imprensa alterna os «dantescos» incêndios com os dos bikinis nas praias algarvias. Em tempos idos a moda estival incluía a obrigatória publicação de inquéritos sobre os costumes sexuais dos portugueses destinados a alcançarem-se maiores tiragens ou audiências.
Na semana transata andou por aí um inquérito desse tipo, desfasado sazonalmente, e referente às experiências dos estudantes universitários quanto aos assédios de que se possam sentir alvos. E os resultados justificaram abordagens, ora inquietas, ora apenas traduzindo o pulsar de uns excitados voyeurs. Por norma não dedico a tais «peças jornalísticas» mais do que breve passagem pelo título, mas António Guerreiro, na crónica semanal no «Ípsilon» refere-a de acordo com a perspetiva desconfiada, que costuma ser a minha: “não é verdade que nas coisas do sexo ninguém diz a verdade? Seja porque queremos estrategicamente ocultar aos outros o que pertence à nossa intimidade, seja porque quase sempre, nesta matéria, mentimos a nós próprios, instalamo-nos na mentira e é preciso um longo trabalho analítico para sair dela. Por isso é que estes domínios são muito mais complexos do que nos querem fazer crer.”
À exceção dos trabalhos de Masters & Johnson ou de Shere Hite, que se fundamentavam em métodos científicos com alguma consistência, nunca dei crédito às conclusões sobre os hábitos sexuais de um qualquer universo estatístico. Na sua multiplicidade o tema não se compadece com tratamentos jornalísticos motivados por exclusivas motivações comerciais. A lógica das fake news também passa por ele...

domingo, dezembro 15, 2019

Diário de Leituras: O senhor Presidente que Asturias conheceu



«Senhor Presidente» apareceu publicado no México pela primeira vez em 1946, embora estivesse praticamente concluído desde 1933. Miguel Angel Asturias criara esse protagonista a partir do conhecimento pessoal de Manuel José Estrada Cabrera, que chegara ao poder no ano anterior ao seu nascimento e, até 1920, personificara o tipo de ditador infelizmente conhecido por muitos povos da América do Sul durante o século transato.
Ameaçados pelo novo regime, os pais de Asturias tinham fugido da Ciudad de Guatemala em 1901, mas a necessidade de lhe garantir os estudos secundários fizeram-nos regressar à capital em 1907. O jovem Miguel depressa enveredou na luta pela democracia, sobretudo ao entrar para a Universidade em 1917 para cursar Direito. Essa formação habilitou-o a ser secretário no processo contra Cabrera, após o seu derrube. Contaria depois a estranheza de ver o ditador em carne e osso na cadeira dos réus. E essas recordações dar-lhe-iam substância para a criação do personagem: “via-o quase diariamente na prisão. E compreendi que, indubitavelmente, suscitava um efeito singular nos outros. Enquanto esteve preso houve quem não acreditasse ser ele quem vivia a punição, porque o verdadeiro Cabrera escapara e fora substituído no cárcere por um pobre velho”.
Um outro tema abordado no romance é o da condição índia, que merecera de Asturias uma tese em que denunciava o sofrimento e as injustiças perpetradas sobre parte significativa da população do seu país. Enjeitava, porém, que o objetivo do romance fosse prioritariamente militante, porque visara alcance mais universal. Daí a prolongada criação, porque, se a génese já se anunciava em 1923 ao publicar um conto intitulado «Los Mendigos Políticos», levaria ainda mais dez anos a conclui-lo.
Não tivesse partido no ano seguinte para Paris para conviver com as vanguardas estéticas e frequentar o curso de Georges Reynaud na Sorbonne e talvez o projeto tivesse conhecido mais abreviada conclusão. Mas ele só ganharia no convívio n com os surrealistas, que lhe inspirariam a integração nos que pugnariam pelo realismo mágico na literatura latino-americana das décadas seguintes.
O manuscrito já estava praticamente concluído quando regressou à Guatemala em 1933, mas achou por bem deixá-lo em França, nas mãos do amigo e futuro tradutor Georges Pillement, porque já outro ditador ali pontificava - Jorge Ubico Casteñeda - não sendo difícil aos seus esbirros identificaram-no no personagem da obra. As vicissitudes políticas dos anos seguintes justificariam o prolongado hiato até à efetiva publicação do romance no imediato pós-guerra.

sábado, dezembro 14, 2019

Diário das Imagens em Movimento: «Radio Days» de Woody Allen (1987)


As décadas de trinta e de quarenta do século passado foram aquelas em que a rádio conheceu os seus tempos áureos. Na que se seguiria a televisão viria alterar os hábitos, sobretudo os de suscitar nos ouvintes o prodigioso exercício de imaginação de conferirem imagens ao que ouviam.
A rádio informava e distraia, mas para Joe, o narrador e alter ego  do próprio Woody Allen, persistiria na memória de adulto pelas músicas antigas e histórias indelevelmente associadas à sua infância. Por exemplo a do início do filme  quando os ladrões de uma residência interromperam a operação para responderem às perguntas de um concurso radiofónico e, no dia seguinte, causaram uma enorme surpresa nos que se sentiam suas vítimas.

É pela interação de toda a família com o que ia ouvindo, que ficamos a conhecer os seus elementos: a mãe a beber o café matinal com os sofisticados Irene e Roger, o pai envergonhado com a profissão e a imaginar estapafúrdias hipóteses de enriquecer, o tio Abe e a abundante quantidade de peixe diariamente trazida para casa, a tia Béa e a sempiterna frustração de não encontrar o príncipe encantado tanto mais que os rapazes casadoiros haviam partido para a guerra.

Os amigos da escola serviam a Joe de cúmplices na procura de submarinos alemães ao largo da praia onde habitavam, mas sobretudo como atónitos voyeurs aa partilharem a visão da desnudada vizinha, que virá a ser sua professora. Ao som de «Babalu» os mistérios do sexo começavam-se a desvendar.

E que dizer do brilho e glamour de Manhattan, quando, com a tia e um dos ocasionais namorados, ficara a conhecer o Radio City Music Hall? Nele pontificava Sally White, uma das estrelas de então, cuja história fora uma das muitos que colecionara.

Mia Farrow  - então companheira de Woody Allen! - protagoniza essa rapariga com uma voz e um sotaque inaceitáveis para a rádio, mas para ela contratada a expensas de um gangster, que começara por a querer assassinar enquanto testemunha incómoda do crime por ele perpetrado e, sobretudo, depois de competentes aulas de dicção. Se o ataque a Pearl Harbour fizera atrasar a sua estreia, depressa vingaria enquanto bem sucedida cronista de fofocas sobre celebridades.

Não é apenas o episódio inaugural sobre a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial a surgir aqui representado, porque também se evoca a famosa adaptação de «A Guerra dos Mundos» de H.G. Wells pelo Mercury Theatre de Orson Welles, que tanto assombraria a América numa noite do ano de 1938. Um dos que não ganharia para o susto seria precisamente um dos efémeros namorados da tia Béa. Mas há também um outro momento inesquecível relacionado com a noite inteira em que os ouvintes acompanharam a par-e-passo a tentativa de salvamento de uma criança num poço até ao momento em que os repórteres deram conta do seu regresso à superfície já como cadáver.

A recordação dessa época conclui-se no primeiro dia de 1944, quando Joe é acordado propositadamente para assistir à entrada no novo ano e as estrelas da rádio reúnem-se no telhado do edifício para celebrarem a ocasião com sofisticação e muito frio sem imaginarem quão próximas estavam do final de um tempo em que as suas vozes iriam ficar progressivamente mais esquecidas. Mas dificilmente encontramos filme de Woody Allen em que seja tão forte e comovente o sentimento de nostalgia, porque definitivamente ficara muito atrás o encanto da inocência perdida...

sexta-feira, dezembro 13, 2019

Diário das Imagens em Movimento: o inolvidável final de «As Noites de Cabíria»


De forma algo simplista pode considerar-se que existem dois tipos de filmes: a grande maioria é constituída por aqueles que vemos com maior ou menor agrado mas, passados uns dias, quiçá mesmo umas horas, já estão esquecidos por apenas terem sido breve entretenimento. Mas existem os outros, essas maravilhosas obras-primas que vemos uma, duas, três, dez, vinte vezes, e de cada uma delas descobrimos quanto nos passara despercebido anteriormente para além de perdurarem cenas, que se nos tornaram inolvidáveis. Sobretudo nos finais, que sintetizam a intenção do realizador ao acometer-se a tal produção.
«Noites de Cabíria» é um exemplo eloquente dessas obras-primas, que revisitamos com inesgotável prazer. Rodado em 1957 ganharia o Óscar do melhor filme estrangeiro desse ano, graças não só ao talento de Fellini, mas sobretudo a um daqueles desempenhos superlativos de Giulietta Masina, que não imaginaríamos acessíveis a mais nenhuma atriz do seu tempo. O Prémio de Interpretação no Festival de Cannes foi-lhe totalmente merecido.
Ela  interpreta o papel de uma prostituta ingénua capaz de mostrar lúcido distanciamento num espetáculo de variedades polarizado num ilusionista diabólico com surpreendentes dons de hipnotizador, mas cai em sucessivas canções do bandido, ou seja dos homens apenas nela interessados em roubarem tudo quanto possui, recorrendo a juras de amor e vãs promessas de casamento.
O filme inicia-se com o seu quase afogamento, porque um deles empurra-a para o rio ao apossar-se-lhe da carteira e conclui-se com momento semelhante em que o suposto noivo a leva à beira de um precipício para onde conta impeli-la tão só lhe fique com o dinheiro. E vem então esse final em que, derrubada no chão, começa por sentir inevitável o suicídio, mas a ele resiste, voltando à estrada mais próxima para aí se ver acompanhada por alguns jovens em clima de festa, que a incitam a juntar-se-lhes na alegria apesar de verem a lágrima a escorrer-lhe do olho. E o sorriso, que esboça nos seus lábios, ainda momentos antes tão crispados, acaba por transmitir a ideia de haver mais vida para viver, outros tantos desafios para suplantar e, porventura, poupar-se a repetir erros para os quais se deveria ter acautelado.
E fica assim transmitida uma bela lição de vida!


quinta-feira, dezembro 12, 2019

Galerias: O abananado mundo das artes


Na semana passada o mundo internacional das artes plásticas foi agitado pelo caso da banana de Maurizio Cattelan: a galeria Perrotin apresentou-a numa feira de Miami depois de comprada num supermercado das proximidades e afixada à parede com fita gomada. O título escolhido pelo autor da obra correspondeu à sua natureza - «The Comedian» - e qualificou ajustadamente os que, com ar muito sério, consideraram-na a derradeira obra pop, aquela que constituiria ao mesmo tempo a síntese e a conclusão final do movimento. E o aturdimento ainda mais se justificou quando se soube da venda da peça por 120 mil dólares.
Se a Art Basel Miami parecia condenada a passar despercebida no meio de tantas feiras de arte contemporânea, que decorrem por esse mundo fora, logo viu concentrarem-se em si as atenções da imprensa, que repetiu a questão, inaugurada por Duchamp com o famoso urinol: será que aquilo é arte?
Não foi, porém, o tipo de inquietação das centenas de visitantes, logo apressados a tirarem uma selfie com a banana só lá faltando o mais conhecido cultor nacional do entretém, quase por certo distraído da oportunidade perdida.
O alarido ainda mais se acentuou quando um outro «artista» pegou muito naturalmente na banana e a comeu para as câmaras, assumindo o ato como a sua própria performance.
E agora?, terão pensado os mais ingénuos. Como reagiriam os «donos» da peça? Mas logo surgiu a desculpa habilidosa de quem pretendeu realimentar a mistificação: a obra de arte não era propriamente aquela banana, mas uma qualquer que a substituísse por estar em causa o conceito e não a sua materialização. O que fora vendido não fora propriamente a peça, mas o protocolo que a definia.
Os que tinham vivido a angustia da peça irremediavelmente perdida terão suspirado de alívio. «Aaaaaah!», quase se ouviu em quem aceitou a explicação e continuou convencido em como, se Duchamp, John Lennon ou Jeff Koons tinham criado «obras» semelhantes, logo reconhecidas por quem, de cátedra, as considerara obras de arte, passar-se-ia o mesmo com a que agora estava em questão.
Para o «New York Times» não era preciso mais nada para comprovar quão doido anda o mundo das artes plásticas e quão aberrante se exprime o seu mercado, porque torna-se incompreensível como um objeto banal, cujo preço é de todos mais ou menos conhecido, alcançou tão absurda valorização.
Quem ganhou ainda maior renome foi o artista italiano, que já conhecíamos da polémica escultura «La Nona Hora» em que se via o Papa João Paulo II fulminado por um meteorito e para quem de nada valera a «proteção divina». Essa possuía, porém, uma carga provocatória, que ridicularizava o catolicismo e as religiões em geral, fazendo por isso todo o sentido.
Ou igualmente uma outra em que os visitantes de uma exposição deparavam com um menino ajoelhado como se estivesse a rezar e, dando a volta, deparavam tratar-se de Hitler.
Pode-se depreender que a intenção de Cattelan será semelhante: o mundo das artes tem-se caricaturado ultimamente de forma tão grotesca, ainda que avalizado pelos balúrdios alcançados pelas peças vendidas nos mais conceituados leilões, que ele faz exuberante demonstração de como um sistema masoquista anda a deleitar-se com a exibição da sua própria destruição. Quem o escreveu foi Mathikde Serrell e é muito capaz de ter plena razão.