quarta-feira, junho 10, 2015

PLANOS CRUZADOS: Pilsen 2015, uma das Capitais Europeias da Cultura de 2015

Plzeň ou Pilsen, que fica a 120 quilómetros de Praga e conta com 200 mil habitantes, orgulha-se da arquitetura do tipo «casas de bonecas», existente no seu centro histórico, da herança barroca e dos ecos faustosos do império austro-húngaro.
Fundada em 1295 por Venceslau II da Boémia, a cidade checa foi, durante muitos anos, uma das mais belas joias da monarquia danubiana, uma espécie de Bela Adormecida conservadora.
A antiga sede da produção dos automóveis Skoda e capital mundial da cerveja Pils agarrou a oportunidade de mudar de imagem.
Pilsen revisita a sua identidade e redescobre-se como Capital Europeia da Cultura. Se, no período soviético, primou o seu lado industrial, agora procura valer-se da vertente cultural.
Sob a divisa Open up a velha Europa apresenta jovens artistas, que associam  a tradição e a criatividade, apostam no potencial da cidade onde vivem e propõem uma outra abertura de espírito, uma outra perspetiva do que é a cultura. Para os artistas, os organizadores e os cidadãos mais esforçados, Pilsen 2015 traduz-se num projeto esperançoso, que seja motor de inovação e de investimento no futuro.
Com mais de seiscentos eventos, que passam pelo circo, pelo teatro, pela arte em espaços públicos e muito humor, a quarta cidade checa está pronta para desvendar os seus tesouros. As fábricas em ruínas, as caves, os quintais nas traseiras das avenidas e ruas, transformaram-se em locais de exposições. As tradições de Pilsen como o teatro de marionetas e a música folclórica redescobrem-se e ressuscitam das cinzas.
Durante este ano em que é capital cultural o público pode aceder, pela primeira vez, à decoração do austríaco Adolf Loos, pioneiro da arquitetura moderna e despojada, lembrando os tempos em que ele correspondia às encomendas dos industriais e comerciantes mais abonados, na maioria judeus.
Antes da Segunda Guerra Mundial, Pilsen tinha a segunda maior sinagoga da Europa e a terceira a nível mundial para servir a dinâmica comunidade judaica, lembra o fotógrafo Radovan Kodera, que se tem dedicado a captar a história da cidade, sobretudo desde os acontecimentos de 1989. Ele tem atelier na própria praça onde fica a catedral de São Bartolomeu com a torre mais elevada do país.
O centro gótico, as casas do estilo art nouveau e a praça em si, estão classificados como monumentos históricos. Todas as ruas irradiam diretamente desse centro.
Na era comunista esse centro histórico estava cercado por uma cintura industrial com vários quilómetros de largura, dominadas pelas fábricas da Skoda.
Segundo o arquiteto Jakub Mares o urbanismo de Pilsen é inigualável. Com a sua associação «No Mundo» apostou na reabertura do mais antigo cinema da região, onde organiza serões culturais.
Por seu lado, Blanka Josephová-Lunáková conta a tradição secular das famílias de marionetistas, que percorriam a região desde o século XVII, e que agora revive na mítica sala Alpha. Após ter estudado o teatro de marionetas em Praga, ela regressou a Pilsen, onde crescera num bairro operário hoje muito degradado.
Em 2015 o teatro de marionetas está em pleno ressurgimento, muito embora a intenção de Blanka seja a de fabricar artesanalmente bonecas e marionetas passíveis de se transformarem num produto sustentável de exportação para outros mercados.
Concluamos a abordagem a esta capital cultural europeia de 2015 com Vojtech Kouba e o seu agrupamento folclórico Lidová Muzika. Para ele já estão distantes, mas não esquecidos, os anos em que a música popular lhe servia de arma de combate contra o regime comunista.
A queda do muro extinguiu essa tradição e Kouba pretende-a recuperar com um conjunto de concertos programados para todo o ano e com um disco  capaz de representar o seu contributo para a referida busca identitária de uma cidade em mudança. 

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