Vemos, ouvimos, lemos e experimentamos. Tanto quanto possível pensamos pela nossa própria cabeça...
segunda-feira, junho 09, 2014
ARTISTAS CONTEMPORÂNEOS: Cabu
LIVRO: «Enquanto Vivemos» de Maruja Torres
domingo, junho 08, 2014
ÓPERA: «Casta Diva», ária de Bellini por Dimitra Theodossiou
TEATRO. «O Capital» de Sylvain Creuzevault
quarta-feira, agosto 08, 2012
Documentário sobre a Atlântida: «Dernières nouvelles de l'Atlantide» de Jens Peter Behrend [1]
Numa altura em que a Europa parece avançar para a catástrofe, muito por insensatez da governação alemã, faz todo o sentido regressar á Atlântida enquanto símbolo de uma civilização avançada, que desapareceu de um momento para o outro.
Por uma catástrofe natural sabem-no os cientistas, que só procuram clarificar aonde ela se repercutiu, pendendo - segundo os estudos demonstrados neste documentário - para o Mediterrâneo Oriental. Mas também por miopia civilizacional merecedora da punição dos deuses, assim o descrevia Platão.
Foi o filósofo grego a primeiro falar dessa sociedade manietada pelo seu extremo orgulho e destruída numa só noite. Desde então não foram necessárias grandes erupções vulcânicas ou devastadores tsunamis para manter viva a lenda de um apocalipse fulminante.
Ventos Semeados
sábado, julho 28, 2012
«Envelhecer ao Sol», documentário de Kamil Taylan (2009)
sábado, janeiro 07, 2012
Documentário: PALAWAN, O IMPÉRIO DAS PÉROLAS de Therese Engels (2010)
sexta-feira, janeiro 06, 2012
Documentário: Pescadores do Rio Negro de Carmen Butta (2001)
48 (Portugal, 2009). Susana de Sousa Dias.
A notícia é de hoje e vem das lonjuras chilenas: o governo de direita de Piñera decidiu impor uma alteração aos manuais escolares, que deixarão de falar de «ditadura» a respeito dos anos de Pinochet em La Moneda, substituindo esse termo por «regime militar».
Tal eufemismo mostra como a luta antifascista não pode refrear o ânimo, porque os defensores de políticas autoritárias estão sempre prontos a avançarem para cobrir o espaço libertado pelos que se acomodem ao mero exercício das liberdades fundamentais.
Um filme como «48» de Susana Sousa Dias tem a importância de manter vivo o sinistro tempo de repressão sobre quem apostasse em pensar pela sua própria cabeça e não cedesse aos chavões salazarentos.
A realizadora foi aos arquivos da Pide buscar as imagens captadas pelos fotógrafos da organização no momento da detenção ou da libertação e colocou-as à apreciação dos respectivos ex-presos políticos, que as comentam em voz off e aproveitam para revelar as circunstâncias inerentes a essa experiência.
Trinta e cinco anos depois estes testemunhos ainda têm a relevância de constituírem um poderoso libelo contra um regime com ainda tantos saudosistas a ele conotados. E por isso vale sempre a pena neles nos determos…
quinta-feira, janeiro 05, 2012
Black Cat, White Cat (Crna macka, beli macor) (1998) - Trailer
O rio agita-se com a chegada dos russos, que vêm alimentar o mercado negro. Mas Matko, que passa o tempo a jogar poker consigo mesmo, é enganado na compra de um barril de combustível, afinal cheio de água. Para dar a volta à vida socorre-se do tio Grga, que o sabe trapaceiro, mas se sente em dívida para com o pai dele, que lhe terá salvo a vida por duas vezes, uma em Génova e outra em Nápoles. Consegue assim um oportuno empréstimo, para o objectivo de desviar um comboio de combustível entre a Jugoslávia e a Turquia com a ajuda de Dadan, um mafioso toxicodependente, que adora a música tecno. Mas este decide trapacear o cúmplice, ficando com o comboio e com o dinheiro de Matko, sem que este se aperceba do logro em que caiu. Para piorar as coisas ele acede ao pedido de Dadan, que pretende fazer desposar a filha mais nova, a anã Bubamara com o seu Zare também ele chegado a idade casadoira, invocando para tal a compensação por quanto perdera com o negócio.
O problema é a propensão de Zare por Ida, uma bela rapariga também a viver nas margens do Danúbio. Resta ao rapaz a ajuda do avô, que finge morrer para impedir a cerimónia.
Mas Dadan não se prende com tais escrúpulos e obriga Matko a esconder o corpo do pai no celeiro para que o casamento acabe por ser celebrado.
Mas, tão só o padre inicia a cerimónia, e já a noiva foge com a ajuda de Zare e de Ida. É na sua fuga que ela encontra o gigante Grga Veliki, neto do velho padrinho e imediatamente se enamora. É então a vez do velho Grga cobrar a Dadan uma antiga dívida, que ele pagará com Bubamara.
Tudo se normaliza com a comunidade a preparar-se para a celebração de dois casamentos - o de Zare com Ida e o de Veliki com Bubamara. Mas é então que o velho Grga é acometido de um ataque cardíaco. Para que as núpcias taõ esperadas não sejam anuladas, Dadan leva o corpo de Grga para o celeiro para junto do seu velho amigo Zarije.
Algumas horas depois dos dois velhos ressuscitam como que por magia e os casamentos são enfim consumados.
Em 1998, após a realização de Underground Emir Kusturica recebeu a encomenda de um canal alemão para rodar um documentário sobre a música cigana. Quando se prepara para ir ao local da rodagem ouviu a história da morte de um avô em vésperas de um casamento e que terá sido soterrado em gelo para que a cerimónia decorresse. Outra inspiração para este filme terá sido a leitura de «Os Contos de Odessa» do russo Isaac Babel.
O projecto transforma-se, então, numa longa-metragem de ficção, que será este «Gato Preto, Gato Branco» para cuja concepção recorrerá ao argumentista Gordan Mihic com quem já trabalhara em «O Tempo dos Ciganos».
quarta-feira, janeiro 04, 2012
CONTOS COMPLETOS (2) de Gabriel Garcia Marquez
terça-feira, janeiro 03, 2012
Livro: CONTOS COMPLETOS (1) de Gabriel Garcia Marquez
quinta-feira, dezembro 29, 2011
Documentário: SAYOMÉ de Nikos Dayandas (2011)

Bob Dylan: Dont Look Back - Clip
Don’t Look Back é um documentário que acompanha a digressão de 1965 de Bob Dylan pelo Reino Unido.
Na época Dylan era um jovem arrogante, sempre disposto ao confronto com quem dele pudesse discordar e vivia a relação amorosa com Joan Baez. Uma das cenas mais recordadas do filme é precisamente quando ambos cantam temas de Hank Williams num quarto de hotel.
Sucedem-se assim as cenas de bastidores com entrevistas, conversas com elementos do staff ou outros músicos que o visitam como Alan Price ou Donovan, ou mesmo poetas do calibre de um Allan Ginsberg. Acrescentando-se-lhes extractos do concerto no Royal Albert Hall.
Comecei a ouvir falar deste filme alguns anos depois, quando costumava passar nas Quinzenas do Monumental ou nos ciclos do Império, que faziam convergir estudantes de todas as faculdades lisboetas ao Saldanha ou à Alameda ao fins da tarde dos dias de semana. Só não lembro se o vi ainda antes ou depois do 25 de Abril. De qualquer forma fazia, então, todo o sentido o poema que diagnosticava um tempo de mudança. Mesmo se aquela a que aspirávamos já nada tivesse a ver com Dylan, que desde o seu desastre de mota mudara de voz, de discurso e de valores. Se é que alguma vez ele terá justificado as expectativas ideológicas nele investidas por um Pete Seeger, que tanto contribuira para ele sair do anonimato e chegar ao estrelato, enquanto possível sucessor de Woody Guthrie.
O filme é, pois, um documento sobre um momento específico da vida de um cantor, que já passou por tantas fases, mas nunca se conseguiu dissociar desta, que foi a mais marcante do seu percurso.
domingo, dezembro 25, 2011
Made In Dagenham - Official Trailer [HD]
Em 1968 as operárias da fábrica da Ford em Dagenham fizeram uma greve bem sucedida para fazer valer o princípio da remuneração igual para trabalho igual.
Elas tinham tudo contra si, contando à partida com cinco obstáculos por superar: o primeiro era a sua inexperiência, quase ingenuidade em relação às metodologias do combate sindical. Em segundo lugar as dificuldades pessoais de cada uma das envolvidas, que viam os conjugues reagirem com desconfiança, e até com oposição ao processo de luta encetado. Depois, o próprio sindicato contava com dirigentes mais dados às regalias inerentes a tal condição do que à verdadeira defesa dos seus representados. Em quarto lugar os trabalhistas no Governo, liderados por Harold Wilson, tinham contado com a complacência do patronato nas eleições, dada a promessa de reduzirem o clima de agitação social dos anos anteriores. E, finalmente, a própria Ford ameaçava com a deslocalização das suas fábricas, temerosa de que a cedência ali se transformasse numa bola de neve em todas as demais espalhadas pelo mundo industrializado.
Embora a realização não tenha nada de excepcional, o filme conta com um argumento de peso: Sally Hawkins no papel de Rita O’Grady, a confirmar-se como uma das actrizes inglesas mais versáteis do momento, recorrendo a expressões de rosto ou corporais, que acrescentam algo mais ao que os argumentistas ou o realizador pretendiam.
É claro que muito mudou desde 1968, muito por obra dos tenebrosos anos de governo de Margaret Thatcher. As lutas reivindicativas deixaram de ter este tipo de características, tornando-se muito mais duras e difíceis de vencer. Mas não deixa de ser reveladora a necessidade de recuperação dos êxitos sindicais do passado, quando o actual estado da luta de classes evidencia a relevância de todas as formas possíveis de inflectir a obscena desigualdade entre a riqueza de um punhado de privilegiados e a crescente pauperização da maioria da população europeia…
Assim como assim, este tipo de filme pode indiciar uma vaga de fundo, que cuide de atirar para o caixote do lixo da História este tipo de capitalismo depredador, assente na especulação financeira e na globalização, e que se conclui estar cada vez mais distanciado das aspirações colectivas quanto a um nível de qualidade de vida só alcançável num outro sistema politico e económico.
Nesse sentido, «Igualdade de Sexos» vale mais pela sua qualidade cinematográfica do que pelas expectativas, que permite suscitar.





