terça-feira, janeiro 22, 2019

(EdH) Admiráveis sinagogas



Monumentos sagrados, as sinagogas distinguem-se dos templos das outras religiões monoteístas por terem sofrido muito mais destruições com as guerras, que grassaram por toda a Europa, só tendo sobrevivido uma percentagem reduzida das existentes antes da ocupação nazi. Mas a sanha antissemita perdurou por muitos séculos explicando a austera arquitetura exterior, reflexo da intuição de associar a sobrevivência à prudente invisibilidade - em muitos casos quase não se distinguindo dos edifícios adjacentes! - em comparação com a exuberante decoração interior, .
O primeiro templo, aquele que perduraria na memória como o mais relevante de todos os tempos, foi erigido no monte Moria a mando do rei Salomão e destruído no século VI a.C. , quando os babilónios conquistaram Jerusalém. Fugindo dos invasores, os judeus iniciaram a diáspora, que os espalharia pelo norte de África e, depois, por toda a Europa, distinguindo-se os que se fixaram a ocidente, sefarditas, dos que optaram pelo leste do continente, asquenazes. Do mítico templo original sobrou o Kotel, mais conhecido por Muro das Lamentações, hoje tido como lugar particularmente sagrado por ser entendido como aquele onde a proximidade entre o crente e Deus mais se afirma.
Na ilha tunisina de Djerba as sinagogas existentes replicam a arquitetura aplicada nas mesquitas, com a mais antiga, a de Ghriba, a reivindicar conter em si relíquias de Jerusalém.
Em Córdova e em Toledo ergueram-se sumptuosas sinagogas, indiciadoras do relevo político e social dos que as mandaram construir. Mas o afã inquisitorial dos reis castelhanos a partir do século XIV precipitaria novo exílio, não só dos que se julgavam seus súbditos, mas também de quantos habitavam o resto da Ibéria. Não surpreende que a principal sinagoga de Amesterdão seja conhecida como a «portuguesa», por ter sido encomendada pelos que daqui haviam saído. E, séculos a fio, as terras holandesas seriam refúgio seguro de uma comunidade, que ai prosperaria até à chegada dos exércitos de Hitler. Tal qual aconteceria em Budapeste onde surgiu a mais imponente sinagoga das então existentes por toda a Europa. Nas finanças, na política, na cultura, os judeus viveram inusitado otimismo e expetativa de integração na que era uma das cidades mais florescentes do Império com sede em Viena.
Menos sorte tiveram os que buscaram refugio na cidade dos doges, acantonados em guetos, que se assemelhavam a restritas prisões, só abertas com a invasão napoleónica.
Foi no Novo Mundo que os judeus escapados dos progroms encontraram acolhimento mais favorável, construindo-se em Filadélfia a Beth Sholom, impressionante criação de Frank Lloyd Wright, que não viveu o suficiente para comparecer à sua inauguração em 1959.
Religião da memória e das palavras, o judaísmo tem muito de admirável não fosse o caso de estar a ser hoje conduzido politica e religiosamente por quem desmerece das suas tradições.

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