domingo, maio 17, 2015

DIÁRIO DAS IMAGENS EM MOVIMENTO: «Soi Cowboy» de Thomas Clay (2008)




Estando a decorrer o Festival de Cannes, vale a pena recordar um filme aí exibido há sete anos e sobre o qual pouco mais se soube desde então. Tratava-se de uma história passada em Banguecoque com a relação ambígua entre uma jovem tailandesa grávida e um europeu obeso.

Ele é Tobi e ela Koi, mas praticamente nunca falam entre si. O volumoso corpo dele contrasta com a fragilidade da rapariga a quem oferece presentes (ela coleciona peluches) enquanto toma Viagra.

Ela procura a segurança capaz de a distanciar de Soi Cowboy, o bairro boémio onde se encontraram. Embora lhe tenha afeto, Koi sente que o deitar-se com ele é um sofrimento.

Enquanto isso se passa, um jovem mafioso é contratado para entregar a cabeça do próprio irmão.

O realizador inglês Thomas Clay merecera muitos elogios da crítica, quando, em 2005, apresentara ao público do Festival de Cannes a sua  primeira longa-metragem: «The great ecstasy of Robert Carmichael».

Com este filme temo-lo a mudar de estilo e de perspetiva, apoiando-se na habitual equipa técnica do reconhecido Apichatpong Weerasethakul.

Reivindicando a filiação no cinema de Antonioni, Clay está apostado em ilustrar a solidão de um casal apenas unido pelo dinheiro. Apesar dos corpos a movimentarem-se no amplexo sexual e da gravidez dela, o amor está ausente. Apenas conta o dinheiro, seja para oferecer o simulacro de uma vida sentimental ao europeu obeso, seja para obedecer às ordens de um padrinho mafioso.

Utilizando longos planos-sequência e um preto e branco à Wim Wenders, o cineasta mostra o quotidiano rotineiro de um casal disfuncional, que parece arrastar-se pelo  pequeno apartamento, tomam o pequeno-almoço cada um para o seu lado e só, ao fim de vinte minutos de filme, falam um para o outro. Enquanto metáfora, podem lembrar qualquer outro casal em crise em que a distância entre ambos seja a norma,

Existe um incómodo existencial, que atinge os limites do absurdo durante uma visita a templos budistas...

Mais do que um filme de qualidade, «Soi Cowboy» tem interesse pela estranheza que comporta...

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