quarta-feira, outubro 21, 2015

DIÁRIO DAS IMAGENS EM MOVIMENTO: A urgente introspeção de Israel

Amos Gitai é um dos mais interessantes cineastas israelitas por ter uma obra consistente na luta contra os fundamentalismos ortodoxos dos seus concidadãos. Não admira, que acabe de apresentar «The Last Day», o seu filme mais recente cuja estreia está agendada para 4 de novembro, quando passarem vinte anos sobre o assassinato de Itzhak Rabin.


O dia referido no título do filme foi aquele em que se finou a esperança de uma paz duradoura entre Israel e o novo Estado da Palestina tal qual havia sido gizado pelos Acordos de Oslo. Nesse dia o assassino, Yigal Amir, não matou apenas o antigo herói militar e primeiro-ministro, que tanto mérito tivera em escancarar as portas para um futuro de paz para o Médio Oriente: ele tornou-se no responsável pelos muitos milhares de mortos, entretanto tombados dos dois lados em conflito, sem esquecer os que colateralmente vieram a ser vítimas nos diversos conflitos dos países vizinhos.
Se os acordos de Oslo tivessem prevalecido, muito provavelmente, a geografia dessa região seria hoje completamente diferente e o mundo não estaria tão assente sobre escaldantes brasas.
O filme de Gitai não se limita a denunciar o alcance do crime de Amir, porque recupera as imagens de Benyamin Netanyhaou a apelar nos dias anteriores ao homicídio como forma de impedir a História de seguir o curso, que ele detestaria testemunhar.
Para Gitai trata-se de submeter a sociedade israelita a uma introspeção sobre as consequências dos atos dos seus setores populacionais mais fanatizados... 

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