terça-feira, março 16, 2021

(DIM) A Parte dos Anjos, Ken Loach, 2012

 

Se há realizadores de quem consigo ver com agrado todos os filmes, mesmo os menos relevantes, é Ken Loach. Já lá vão quase cinquenta anos que vi o seu impressionante Vida em Família e nunca mais o perdi de vista, sobretudo, quando os filmes passaram a coincidir com a minha perspetiva ideológica. Ou seja a da permanente denúncia das desigualdades sociais, do abuso de poder de quem o utiliza para oprimir os mais desvalidos e o da solidariedade facilmente estabelecida entre estes últimos.

Neste filme de 2012, passado na Escócia, há um rapaz mal saído da adolescência, mas com vasto historial de problemas com a Justiça por ter um comportamento reiteradamente zaragateiro. No entanto a gravidez da namorada e a influencia do tutor da sua pena suspensa vai suscitar-lhe um desejo de redenção. Mesmo que isso signifique o roubo parcial do conteúdo de um barril de “Malt Mill”, uma espécie de Rolls Royce dos whiskies escoceses.

O velho Loach dá-nos então a conhecer esse mundo estranho em que há quem pague fortunas para aceder a um vinho engarrafado em cascos de carvalho e onde uma parte tende a evaporar assim se justificando o irónico título do filme. Tornando-se num enólogo especializado - até por demonstrar inato talento para tal! - Robbie e o seu grupo de cúmplices conseguirão vender a um apreciador com meios para as conseguir pagar as garrafas preenchidas com o conteúdo roubado do valioso barril . E é com esse dinheiro que Robbie, a namorada e o filho de ambos, saem de Glasgow, prontos para se reinventarem numa nova vida...

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