domingo, abril 03, 2016

SONS: Pra não dizer que não falei das flores

Ainda está por definir o que se passará no Brasil nas próximas semanas. Será que a direita consegue levar por diante o golpe, em que tanto se tem empenhado desde que a crise se instalou e viu chegada a oportunidade de reverter tudo quanto Lula e Dilma conseguiram? Ou será que o povão vem para a rua e impede tal conjura, criando as condições para que o Partido dos Trabalhadores se regenere e conclua das vantagens de não fazer política com as elites, que sempre o detestaram, mas ativamente contra elas?
Vem isto a propósito de uma canção, que ontem vi resgatada do esquecimento de muitos anos: estava num encontro político com socialistas de todo o país, quando o Nery Ribeiro, intérprete infelizmente escutado com muito menos atenção do que deveria ter sido, recordou «Pra não dizer que não falei das flores», um tema criado em 1968 por Geraldo Vandré, quando a ditadura brasileira estava no auge da sua sinistra ação.
Foi por essa altura que Chico Buarque e Gilberto Gil procuraram o exílio em Inglaterra, e depois em Itália, tendo Vandré esperado o suficiente para ser capturado pela polícia política da ditadura e torturado. Conta a lenda, que terão sido as sequelas de tal provação a causarem tal efeito na saúde mental do compositor, que ele muito raramente se atreveu a voltar ao palco, mesmo quando, já em liberdade, Joan Baez a tal o quis forçar.
Quando conseguiu escapar da prisão, Vandré andou fugido e escondido, nomeadamente na fazenda, que pertencera ao escritor Guimarães Rosa, até alcançar o Chile onde se viu abrigado da repressão da ditadura.
Porque a canção continua com a força, que a levou a ser um autêntico hino de resistência à ditadura, faz todo o sentido trazê-la de volta, na esperança de que não regressem ao Brasil os dias sangrentos de então. 

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