1. A Sirene de Nevoeiro é o primeiro conto do livro de Ray Bradbury com que encetei a procura do mesmo interesse em tempos despertado pelo Fahrenheit 451 ou pelas Crónicas Marcianas.
Confesso um início desconcertante, porque há algo de lovecraftiano nessa estória em que um monstro pré-histórico vem das profundezas oceânicas para destruir o farol onde McDunn e Johnny são os faroleiros. Com uma periodicidade regular ele vem anualmente dar conta da persistência de um distante passado, que não se percebe bem por que vem assombrar o atual presente.
Essa faceta fantástica não era algo que suspeitasse incluída nas efabulações do autor. Razão para aguardar a descoberta de mais umas páginas para melhor ajuizar as intenções do autor..
2. Nunca nutri grande simpatia por Val Kilmer como ator, tanto mais que foram-se somando muitas notícias sobre conflitos com realizadores dos filmes para que foi sendo contratado. O feitio difícil pareceria condizer com os caprichos associados às operáticas prima donas.
Reconfigurei a opinião a seu respeito ao ver o documentário Val, assinado por Leo Scott em 2021, adivinha-se que muito corealizado pelo ator. Ele surge-nos numa caricatura da imagem esbelta do passado e a voz degradada pelos efeitos do cancro, que lhe afetou a garganta, falando abertamente das suas perdas - a mais traumática terá sido a de Wesley, o irmão de quem mais próximo se sentia, e afogado num jacúzi por uma crise de epilepsia, quando tinha quinze anos.
É claro que não sinto empatia pela fé religiosa, que lhe serve de suporte, mas o documentário revela-se suficiente para reapreciar os seus desempenhos com outro olhar, menos afetado pelo preconceito, que me sugeria.
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