O filme do Francisco Manso dedicado a Ruy Cinatti - O Voo do Crocodilo - teve o mérito de dar-me informações sobre um poeta de quem quase só conhecia o nome e o que uma exposição no Museu da Etnologia sugerira relativamente à ligação afetiva a Timor. Mas também me alimentou os reiterados preconceitos para quem era conservador, se não mesmo alinhado ideologicamente com o regime salazarista, e católico.
Em suma, se vi o documentário com o interesse de colmatar uma ignorância, que não sentia indesculpável, também não alimentou o impulso para lhe procurar os poemas incensados pelos seus exegetas entre os quais Joaquim Manuel Magalhães. Até porque o 25 de abril, para além do incómodo com as alternativas progressistas à realidade lusa, não terá causado um sobressalto significativo na sua mundivisão por muito que o trabalho antropológico continue a ser relevante para melhor conhecer os usos e costumes das populações nativas da antiga colónia lusa na Oceânia. Nesse sentido o seu trabalho será mais relevante em Dili do que neste cantinho à beira-mar plantado só afetivamente ligado ao que foi um passado cada vez mais submerso na História.
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