segunda-feira, maio 06, 2019

HISTÓRIAS DO CINEMA: GUIÃO PARA A 6ª SESSÃO


Esta tarde, pelas 14.30, teremos a sexta sessão do ciclo de Histórias do Cinema na sede da Usalma em Almada. O guião a seguir durante a hora e meia de duração terá o seguinte fluxo de temas e imagens:

Federico Fellini em 5 minutos
Quase toda a filmografia ao som de Nino Rota.

As Estações de Pelechian 
·          Um dos nomes mais importantes da História do Cinema foi Dziga Vertov
·          O Efeito Koulechov
·          Um dos herdeiros de Vertov é o arménio Artavazd Pelechian
·          imagens a sucederem-se com uma dinâmica e um encadeamento
·          a música desempenha um papel essencial, Pelechian constrói verdadeiras estruturas corais que, dispensando a palavra, apontam para uma visão cósmica da vida e da História. Um cinema em que o homem se inscreve diretamente no movimento da natureza, do Mundo e da História, movimento vertiginoso portador de um lirismo fulgurante.”

·          colar uns aos outros, numa ordem determinada, fragmentos de filme
·          Os primeiros filmes, denominados «vistas», eram compostos de apenas um plano
·          1910 é que se começou a desenvolver relações entre planos sucessivos, nomeadamente na forma de raccord
·          todos os filmes são montados, mesmo que alguns tenham poucos planos (Oliveira)
·          função narrativa: a mudança de plano, que corresponde a uma mudança de ponto de vista, tem o objetivo de guiar o espectador, de lhe permitir seguir facilmente a narrativa
·          montagem que dificulte a compreensão, (como foi muitas vezes o caso no filme negro, até aos nossos dias (Hitchcock)

«Blade Runner» 
·         Como é possível ter uma apreciação negativa do filme?
·          A história
·          A fotografia
·          As adaptações de Philip K. Dick ao cinema

Sugestão da semana: IndieLisboa 2019: «Tristeza e alegria na vida das girafas» de Tiago Guedes (2019)

(DL) «A mulher que correu atrás do vento» de João Tordo (2019)


À medida que se vão conhecendo os títulos da sua já considerável produção ficcional, cresce o prazer com que lemos os romances de João Tordo. As estórias intrigam, criam a expetativa quanto ao modo como evoluem para um qualquer desiderato e aparecem-nos sustentadas numa estrutura complexa, rigorosa, mas destinada a melhor estabelecer os paralelismos entre os percursos dos diversos personagens. Acabaremos por concluir que, apesar de mudarem as épocas dos acontecimentos, eles tendem a replicar-se com similitudes impressionantes.
Em «A mulher que correu atrás do vento» há uma professora de piano e um aluno autista com notáveis dotes de compositor, uma atriz conceituada incapaz de dissolver o abismo cavado entre si e a filha, que entregara para adoção ainda quando andava de fraldas, ou uma tradutora de Joyce com que entramos no livro e dele saímos. Há sexo censurado pela sociedade, identidades desacertadas, gente sem abrigo e voluntários que a apoia, uma herdade no Alentejo ou cidades intimidantes. Mas, sobretudo, algozes, que nunca deixam de se quere vitimizar, incapazes de manifestarem quaisquer sentimentos de culpa. E chegamos a conjeturar a existência de três narrativas autónomas com elos em comum, mas todas se entrelaçam naturalmente antes do desenlace.
Tordo consegue-nos surpreender pondo-nos a tirar ilações, que, adiante, se revelam incorretas por serem outras as verdades reveladas. Daí a propensão para apressarmos o ritmo da leitura, espicaçados na curiosidade de vermos esclarecidas as dúvidas.
Fica a curiosidade de aferirmos o que nos oferecerá João Tordo no romance seguinte para corroborar-nos a ideia de, com ele, a fasquia vai ficando sempre mais alta.

domingo, maio 05, 2019

(DIM) IndieLisboa 2019: «Tristeza e alegria na vida das girafas» de Tiago Guedes (2019)


Começou por ser uma peça de Tiago Rodrigues e tornou-se num dos filmes portugueses a estrear no Indie, passando no Cinema São Jorge na quarta-feira, dia 8, às 21.30, e na sexta-feira, dia 10, às 14.30. E tem tudo para surpreender os espectadores, convidados a verem Tonan Quito vestido na pele do urso de peluche Judy Garland, o que remete inevitavelmente para a magia de «O Feiticeiro de Oz».
A miúda, que o tem como companheiro de viagem pela estrada de tijolos amarelos, que se converteu nas ruas de Lisboa, está comprometida com um trabalho escolar e escolheu como tema a tristeza e a alegria na vida das girafas. E, a exemplo da sua réplica no filme de 1939, os perigos espreitam a cada esquina, sobretudo vindos das panteras negras, que aqui substituem as bruxas más do ocidente e do oriente. Por isso até vai ter de pedir ajuda ao espantado primeiro-ministro.
E ainda temos para rever alguns excelentes atores como sempre o são Miguel Borges, no papel do pai a viver sofrido luto, Gonçalo Waddington e Miguel Guilherme entre muitos outros.

sábado, maio 04, 2019

(DL) O Salinger que nunca me entusiasmou


Li «À Espera do Centeio» há muitos anos na velhinha edição da Livros do Brasil, quando tinha por título «Uma Agulha no Palheiro». Mais recentemente aproveitei para reapreciar a opinião sobre o autor ao ler «Nove Contos». Em ambos os casos apreciei a leitura, mas nada nela constatei de genial, mesmo levando em conta que as traduções desmereceriam dos originais. Tratava-se de um bom escritor, mas igual a muitos outros, que lemos com igual agrado e vindos das muitas Américas contidas dentro dos Estados Unidos.
Hoje vi um meritório biopic sobre o percurso por que passou entre o fim da adolescência e a consagração enquanto escritor. «Rebel in the Rye» relembra-nos o motivo por que Salinger foi mitificado graças à clausura a que se remeteu, quando estava no auge do seu reconhecimento. A decisão de escrever apenas para seu usufruto, sonegando aos leitores tudo quanto doravante verteria para o papel, justificaria esse injustificado empolamento.
O filme de Danny Strong é simpático, muito mais do que era essa complexa personalidade, demasiado preocupada com a opinião que de si teriam os outros. Até se convencer - ou ser disso convencido pelo guru indiano! - que seria bastante mais eficaz na misantropia, que adotaria como imagem de marca.

sexta-feira, maio 03, 2019

(DIM) «Campo» de Tiago Hespanha (2019)


Nos anos mais recentes a minha cinefilia foi particularmente bafejada com dois filmes encantatórios de Patrício Guzman - «Nostalgia da Luz» e «O Botão de Nácar» - que associava as grandes forças do cosmos com as tragédias da História Chilena, quer nas que se traduziram em milhares de desaparecidos às mãos da ditadura de Pinochet , quer nas que conduziram à extinção de grande parte dos ameríndios durante a colonização espanhola e, depois, nas décadas subsequentes à independência do país.
Ora, nesta noite em que «Campo» de Tiago Hespanha tem a primeira apresentação pública no nosso país, depois de já ter estado em festivais internacionais, os portugueses passam a aceder àquele que o crítico do «Público», Jorge Mourinha, considera «grande cinema». E, porque o seu texto sobre este documentário diz mais do que sobre ele pudéssemos conjeturar, aqui fica extratos justificativos de nos abrirem gulosamente o apetite: “Talvez a maneira mais simples de pôr a coisa seja esta: a Competição Portuguesa do IndieLisboa arranca com um grandíssimo filme (...). E esse filme é um documentário simultaneamente rigoroso e poético, com os pés bem no chão e a cabeça bem nas estrelas, que pega num local de que todos ouvimos falar e o torna num microcosmos do mundo todo, quando não do universo.
Campo (...) entra desde já para a lista dos grandes filmes portugueses dos últimos anos, jogando numa série de patamares de simbologia e referência que vão da mitologia clássica à astronomia, mas sem nunca perder de vida a dimensão humana, quotidiana, daqueles que vivem à volta do Campo de Tiro de Alcochete: os recrutas em treino, os ornitólogos em observação, os astrónomos que olham para os céus noturnos, o miúdo que compõe peças ao piano, o cuidador das ovelhas. De certo modo, é um filme sobre a vida, sobre o círculo da vida, narrado pelo próprio realizador com a poesia cósmica a que, por exemplo, Patricio Guzmán acedeu em «Nostalgia da Luz».”

(C) Buracos Negros: novas imagens no horizonte?


Em 10 de abril transato conhecemos a primeira fotografia do buraco negro M87, que deu uma concretização visual às equações da relatividade geral formuladas por Einstein. Acaso fosse vivo, o genial cientista constataria, que as suas próprias dúvidas ficariam esclarecidas, já que são conhecidas as suas reservas quanto às implicações suscitadas pela sua própria teoria, mormente quanto ao universo em expansão ou aos buracos negros. Vale a pena, aliás, lembrar que ele procurou arranjar justificações para dar consistência a tais dúvidas, negando-se a si mesmo de uma forma algo comprometedora.
Ao longo do século XX a existência de buracos negros foram sendo pressentidas, quando se descobriram estrelas a rodar em torno de uma importante massa invisível ou os longínquos quasares.
Os indícios foram-se acumulando até à constatação das ondas gravitacionais, que constituíram a primeira prova direta dos efeitos no espaço-tempo da coalescência de dois buracos-negros.
Com a imagem amplamente divulgada nas televisões, nos jornais e nas redes sociais, fica a expetativa de virmos a impressionar-nos com outras, que esforços conjugados da comunidade internacional de astrónomos não tardarão a revelar-nos.

quinta-feira, maio 02, 2019

(S) O Baixo João Fernandes a interpretar o papel de Rei Artur numa Ópera de Purcell.

(DIM) IndieLisboa 2019: «Temporada» de André Novais Oliveira (2018)


Uma das questões, que se coloca com o longo período em que Bolsonaro será o palhaço de serviço por conta dos militares e restante corte que o secunda, é até onde poderão resistir as artes em gerais e o cinema em particular. Ele chegou ao poder precisamente numa altura em que, nas diversas vertentes de expressão artística, o grande país latino-americano vivia um momento particularmente rico com muita gente de talento a mostrar quanto vale.
André Novais Oliveira estava a emergir como um dos nomes mais interessantes da nova geração de cineastas, comprovando-os prémios internacionais, que vem conquistando com este filme. Nele acompanhamos o quotidiano de Juliana, que integra uma equipa científica incumbida de combater o mosquito do dengue numa zona suburbana com todos os defeitos do crescimento desordenado da sua malha edificada.
O que se mostra no filme é o Brasil no seu retrato mais rigoroso: o da pobreza e o da falta de expetativas para quem dela sabe nunca emergir. Aquele que o novo poder instalado em Brasília tudo fará para esconder...

(S) Ricardo Ribeiro e os Músicos do Tejo a interpretarem um lundum do séc. XVIII

(DIM) IndieLisboa 2019: «So Pretty» de Jessie Jeffrey Dunn Rovinelli


Nem mesmo em Nova Iorque, cujo cosmopolitismo deveria servir-lhe de escudo contra as investidas das extremas-direitas, a vida está fácil para a comunidade LGBT. É o que sente Tonia, artista e mulher trans, que ali chega, proveniente da Alemanha, para preparar uma exposição do escritor Ronald M. Schernikau.
Os ataques suscitam a vontade de a eles reagir, e é nessa luta, que Tonia e os amigos se irão empenhar. O que se pressuporia uma ficção torna-se num documentário sobre a comunidade em causa, os seus valores, afetos e expressões artísticas.

(DL) «Canção Doce» de Leila Slimani (2016)


Leila Slimani nasceu em Rabat em 1981, e vive em França desde os 17 anos, quando para aí foi estudar. Depois de trabalhar como jornalista publicou o primeiro romance em 2014, «O Jardim do Ogre», que rapidamente se converteu num enorme sucesso junto da crítica e dos leitores.
Neste segundo romance, que ganhou o Prémio Goncourt, toma três mulheres como protagonistas, todas elas a contas com conflitos interiores. Apesar de terem família, ou funcionários com quem lidam diariamente, sentem-se profundamente sós. O sexo nunca lhes dá satisfação, muito menos alegria, mesmo quando praticado com vários parceiros. Enquanto mães revelam-se preocupadas com os filhos e quem deles cuida.
No romance de Leila Slimani a casa é um lugar político onde são complexas as relações em quem nela habita.

(DIM) IndieLisboa 2019: «THOU SHALT NOT KILL» de Gabi Virginia Sarga e Cătălin Rotaru (2018)


O que pode um indignado solitário, quando contra ele convergem as hierarquias e as tutelas? É o tema deste filme baseado num caso real passado de corrupção nos hospitais romenos e denunciado em 2017. Um médico viu demasiados doentes a morrerem à sua guarda pela utilização de um desinfetante ineficaz e enfrenta chefes, diretores, ministros e polícias para que a Justiça seja concretizada. 

quarta-feira, maio 01, 2019

(DIM) Artavazd Pelechian na Cinemateca


Um dos nomes mais importantes da História do Cinema foi Dziga Vertov que, entre 1919 e 1954, assinou alguns dos mais impressionantes filmes soviéticos, dando substância ao que Edgar Morin e Jean Rouch viriam depois a teorizar como sendo o Cinema-Verdade. Não precisando de recorrer a palavras, mas não dispensando a música - importante para melhor enfatizar a montagem das imagens - , o grande mestre do Kino-Pravda seria influência incontornável para gerações sucessivas de realizadores.
Um dos herdeiros de Vertov é o arménio Artavazd Pelechian, que virá à Cinemateca nos últimos dias de maio para apresentar os filmes rodados durante três décadas, e em quem sempre existiu o cuidado de transmitir a realidade através de imagens a sucederem-se com uma dinâmica e um encadeamento, que sugere as leituras por ele pretendidas sem a necessidade do recurso à ficção ou aos diálogos. Muito embora essa manipulação dos fotogramas não nos limite a liberdade de estabelecermos as nossas próprias interpretações sobre quanto alcançamos.
Segundo o texto dispensado pela instituição, que o acolherá, “a música desempenha um papel essencial, Pelechian constrói verdadeiras estruturas corais que, dispensando a palavra, apontam para uma visão cósmica da vida e da História. Um cinema em que o homem se inscreve diretamente no movimento da natureza, do Mundo e da História, movimento vertiginoso portador de um lirismo fulgurante.”
Representante de uma forma de encarar a arte cinematográfica como ela, infelizmente, deixou de se exprimir, Pelechian bem merece sair do quase esquecimento em que caiu, para ser lembrado como um dos seus mais estimulantes criadores.
O link aqui proposto  é o de um filme de 2011 do italiano Pietro Marcello, que homenageia o grande realizador com um filme que lhe replica o estilo e lhe recorda muitas das suas obras.