No Ciclo de Cinema que entende fazer uma viagem pelos filmes sujeitos a censura em diversas latitudes, épocas e regimes, a Cinemateca apresenta esta terça-feira três obras muito diferentes umas das outras.

Agastado, o realizador refugiou-se em Londres para iniciar um percurso internacional com títulos de qualidade muito irregular.
Em 1981 regressou a casa e pegou novamente na obra proscrita e acrescentou-lhe um prólogo com cerca de um quarto de hora, sobre o tema: “Quem éramos? Quem somos?”
O resultado dessa criação em dois tempos distintos explica o pouco entusiasmo, que suscitou.

Aproveitando uma ausência temporária do legítimo, a mulher partilha-lhe a cama com o recém-chegado, estabelecendo-se uma cumplicidade nesse “affaire à trois”.
Convenhamos que o regime estalinista já perfilhava a tese de serem obrigatórias as virtudes públicas, mesmo havendo vícios recatadamente escondidos no espaço privado. Daí a proibição inevitável do filme.
Na sessão da noite (21.30) passa «Soldado Azul», cuja estreia em 1970, teve a dimensão de um relevante acontecimento: vivia-se a guerra do Vietname e não era difícil estabelecer paralelismos entre os massacres com napalm na Indochina e os das aldeias índias pelo mesmo Exército nos finais do século XIX.
Completamente esquecido, o filme de Ralph Nelson incomodou os que defendiam a estratégia imperialista, acabando proibido em muitos países. Em Portugal, como Marcelo Caetano ainda alimentava a possibilidade de adiar o fim do regime com a sua suposta «Primavera», o filme passou com os cortes inevitáveis nas cenas mais explicitas. Mas falando-se de exações cometidas pelas tropas portuguesas em África, havia quem se servisse da abordagem deste filme para colocar em equação a legitimidade ou não de fugir á Guerra Colonial. Por isso mesmo, essa foi época de muitas passagens a salto da fronteira com a Espanha e, depois, a dos Pirinéus, para encontrar refúgio em França, na Bélgica ou na Suécia.
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