Dos
filmes recém-estreados, Três Vezes Adeus, de Isabel Coixet, não
mereceria particular atenção não fosse o protagonismo dado a Alba Rohrwacher. A
realizadora tem uma obra irregular, feita de altos que ficam e de baixos que se
esquecem depressa. A atriz, pelo contrário, nunca desilude. Nem quando está
diante da câmara, nem quando decide passar para trás dela.
Rohrwacher
tem a capacidade de dar densidade ao que, no papel, poderia ser apenas
melodrama. E é disso que se trata aqui: um melodrama assumido, com vários lutos
a atravessá-lo. O luto do amor. O luto da vida que se perde. E o luto da vida
que continua — para quem parte, para quem fica.
Coixet
filma estes lutos com a sua habitual delicadeza, mas é Rohrwacher quem lhes dá
corpo. Há nela uma espécie de transparência inquieta, uma forma de estar que
não dramatiza o sofrimento, mas também não o esconde. É uma atriz que respira
verdade mesmo quando o argumento hesita.
O filme
vive dessa tensão. Da tentativa de conciliar o que se perde com o que se tenta
salvar. Da consciência de que cada adeus é sempre mais do que uma despedida: é
um inventário silencioso do que já não volta.
E talvez
seja por isso que Três Vezes Adeus acaba por ficar connosco mais do que
seria previsível. Não pela realização, que segue caminhos conhecidos, mas pela
presença de Rohrwacher, que transforma o melodrama em matéria humana. Vale a
pena olhar para o filme através dela. É aí que tudo ganha sentido.


















