Assustadores
os números divulgados pela Agência Internacional de Energia para o consumo
previsto dos centros de dados em 2030, qualquer coisa como 945 terawatts‑hora,
valor equivalente a um terço da eletricidade hoje produzida pela União Europeia.
Não deixa
de ser irónico que esta previsão, apresentada com a serenidade habitual das
estatísticas, pareça pedir que continuemos tranquilos, como se a Terra fosse
entidade infinita e paciente, sempre pronta a suportar mais um excesso humano.
Talvez
até seja, porque continuará a vogar pelo universo durante milhões de anos sem
precisar da nossa aprovação, mas a civilização que construímos, capitalista e
ecologicamente irresponsável, essa inspira menos confiança, e a pergunta impõe‑se
quase sozinha: aguenta?
A
resposta aproxima‑se mais do talvez do que do sim, e mesmo esse vem carregado
de ironia, porque a Terra sobreviverá a tudo isto, mas nós, que nos julgamos
donos dela, podemos muito bem não sobreviver ao que fazemos.
O
progresso, quando cresce sem medida, acaba por revelar o lado voraz, razão pela
qual convém interrogar-lhe o custo antes que ele nos apresente a fatura final.

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