quarta-feira, junho 03, 2026

A voracidade do progresso

 


Assustadores os números divulgados pela Agência Internacional de Energia para o consumo previsto dos centros de dados em 2030, qualquer coisa como 945 terawatts‑hora, valor equivalente a um terço da eletricidade hoje produzida pela União Europeia.

Não deixa de ser irónico que esta previsão, apresentada com a serenidade habitual das estatísticas, pareça pedir que continuemos tranquilos, como se a Terra fosse entidade infinita e paciente, sempre pronta a suportar mais um excesso humano.

Talvez até seja, porque continuará a vogar pelo universo durante milhões de anos sem precisar da nossa aprovação, mas a civilização que construímos, capitalista e ecologicamente irresponsável, essa inspira menos confiança, e a pergunta impõe‑se quase sozinha: aguenta?

A resposta aproxima‑se mais do talvez do que do sim, e mesmo esse vem carregado de ironia, porque a Terra sobreviverá a tudo isto, mas nós, que nos julgamos donos dela, podemos muito bem não sobreviver ao que fazemos.

O progresso, quando cresce sem medida, acaba por revelar o lado voraz, razão pela qual convém interrogar-lhe o custo antes que ele nos apresente a fatura final.

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