Há filmes
que nascem com má estrela, não por culpa própria mas do momento em que chegam
ao mundo.
Perguntem
à Lua, da
realizadora grega Jacqueline Lentzou, é um desses casos: lançado na época da
pandemia, sobre ele tombou a maldição do contexto — salas fechadas, atenção
dispersa, o mundo demasiado ocupado com a sobrevivência para se sentar no
escuro a deixar-se atravessar por uma história de amor difícil entre uma filha
e um pai.
Ficou
clandestino. E como os filmes clandestinos, regressa de vez em quando como
cometa — um relâmpago numa programação televisiva, uma janela fugaz num
catálogo de streaming — antes de voltar ao algures donde veio, deixando apenas
em quem o viu a sensação de ter assistido a algo que merecia mais mundo do que este
lhe deu.
A
história é a de uma filha que regressa a Atenas depois de longa ausência para
cuidar do pai com degenerescência muscular. Entre os dois nunca houve empatia —
ela sempre o recordou frio, distante, e a família pôs-lhe o encargo como uma
carga, sabendo que ela não teria como recusar. A íntima revolta que sente é
legítima e o filme não a julga, deixando-a respirar sem a resolver demasiado
depressa.
E então
uma fotografia muda tudo. Um único objeto, uma única imagem, e a perspetiva
sobre o pai reorganiza-se inteiramente — lembrando-nos que as pessoas que
julgamos conhecer guardam sempre um quarto fechado que só o acaso ou a perda
nos deixa entreabrir.

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