Um
narrador regressa à casa costeira onde passava os verões da infância. E tenta
pressentir as memórias guardadas dos que ali viveram e já não existem.
A casa
torna‑se corpo a respirar o que ficou e devolve ecos do nele perdido. E é nessa
oscilação entre presença e ausência que o livro encontra o centro. Tal como em
Woolf, o espaço não é cenário, mas consciência. O lugar onde o tempo se dobra.
O que
está em causa é a fugacidade da vida, tema incontornável para quem guarda do passado
mítico uma reminiscência idealizada. Não é nostalgia — é arqueologia íntima, tentativa
de recuperar o que sentimos quando aconteceu. E isso, como Woolf sabia, é
sempre impossível. Mas também o que nos move.
Há uma
espécie de ternura melancólica nestes regressos. Uma vontade de reencontrar o
que já não está. Uma esperança secreta de o lugar ter guardado aquilo que a
memória deixou escapar. Mas, por mais fiel que seja, ele nada devolve. Apenas
confirma que o tempo passou. E nós passámos com ele.
Vale a pena pensar neste gesto de regressar. Não para recuperar o que fomos, mas compreender o remanescente. E talvez para aceitar que a infância — essa pátria impossível — só existe porque a perdemos.

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