Sete
minutos de animação sérvia bastam para dizer o que muitos romances não
conseguem: cuidar de alguém à deriva para longe da realidade é uma forma
particular de solidão, porque a pessoa está presente e ausente em simultâneo, e
essa concomitância é mais difícil de suportar do que a ausência simples.
Floating, de Jelena Milunović, mostra um pai
com doença mental que flutua literalmente pelo apartamento como um balão —
metáfora visual tão precisa que dispensa explicação. A filha tenta alcançá-lo,
trazê-lo de volta ao chão, e enquanto o tenta os papéis invertem-se: ela
torna-se cuidadora antes de ter idade para isso, carregando um peso que não
pediu e para o qual ninguém a preparou.
O filme
usa o preto e branco claustrofóbico para as fases de depressão e o desenho
colorido e livre para as de euforia — e é nessa alternância que reside a
crueldade específica de certas doenças, o facto de o cuidador nunca saber com
qual das versões vai acordar.
O desafio
do cuidado não é apenas físico nem apenas emocional — é também epistemológico:
como cuidar de alguém que habita uma realidade diferente da nossa, como manter
o contacto com quem deriva, como não derivar também.
A filha de Floating aprende isso cedo demais. E quem cuida, em qualquer forma e circunstância, reconhece nela algo de verdadeiro e pesado — a consciência de que o cuidado exige uma presença constante precisamente quando o outro está cada vez mais ausente.

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