sábado, junho 20, 2026

Melodrama a Três Tempos

 


Dos filmes recém-estreados, Três Vezes Adeus, de Isabel Coixet, não mereceria particular atenção não fosse o protagonismo dado a Alba Rohrwacher. A realizadora tem uma obra irregular, feita de altos que ficam e de baixos que se esquecem depressa. A atriz, pelo contrário, nunca desilude. Nem quando está diante da câmara, nem quando decide passar para trás dela.

Rohrwacher tem a capacidade de dar densidade ao que, no papel, poderia ser apenas melodrama. E é disso que se trata aqui: um melodrama assumido, com vários lutos a atravessá-lo. O luto do amor. O luto da vida que se perde. E o luto da vida que continua — para quem parte, para quem fica.

Coixet filma estes lutos com a sua habitual delicadeza, mas é Rohrwacher quem lhes dá corpo. Há nela uma espécie de transparência inquieta, uma forma de estar que não dramatiza o sofrimento, mas também não o esconde. É uma atriz que respira verdade mesmo quando o argumento hesita.

O filme vive dessa tensão. Da tentativa de conciliar o que se perde com o que se tenta salvar. Da consciência de que cada adeus é sempre mais do que uma despedida: é um inventário silencioso do que já não volta.

E talvez seja por isso que Três Vezes Adeus acaba por ficar connosco mais do que seria previsível. Não pela realização, que segue caminhos conhecidos, mas pela presença de Rohrwacher, que transforma o melodrama em matéria humana. Vale a pena olhar para o filme através dela. É aí que tudo ganha sentido.

 

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