Na Visão
— revista cujos jornalistas merecem apoio continuado no seu crowdfunding, gesto
simples que mantém de pé o que ainda resta de imprensa livre — José Paulo
Santos evoca Spinoza para lembrar que a realidade deve ser compreendida antes
de ser julgada, ideia antiga mas sempre nova, talvez porque a tentação de
ajuizar primeiro e pensar depois continua a ser vício humano dos mais
persistentes.
Não deixa
de ser curioso que, num tempo tão apressado, a proposta de compreender soe
quase revolucionária, como se pedir às pessoas que suspendam as paixões por um
instante fosse exigir um esforço sobre‑humano.
Spinoza
dizia que só a compreensão liberta, e tinha razão, porque compreender não é
desculpar nem absolver, é apenas retirar às coisas o poder de nos dominarem,
razão pela qual convém exercitar a lucidez antes de nos entregarmos ao conforto
fácil do julgamento.

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