Momento
Chernobyl é a expressão de Sofia Santos Machado para designar o risco que
poderá resultar da evolução desenfreada da Inteligência Artificial.
Imagem
dura mas certeira por convocar a memória de uma tecnologia que, usada sem freio
e sem vigilância, pode desencadear uma catástrofe financeira imprevisível, ou
talvez algo ainda mais assustador.
Não deixa
de ser irónico que vivamos rodeados de alertas e, ao mesmo tempo, embalados
pela ilusão de que tudo está sob controlo, como se ele fosse atributo humano e
não apenas desejo.
O mais
perturbador, porém, não é a hipótese da catástrofe, mas o facto de quase nada
de substancial estar a ser feito para a evitar, como se a confiança cega no
progresso bastasse para afastar o risco.
Esta
ausência de ação, mais do que o perigo em si, deveria assombrar os nossos dias,
lembrando que a tecnologia, quando cresce sem medida, tende a revelar o seu
lado voraz, razão pela qual convém pensar o risco antes do desastre, não
depois, quando já não houver muito a salvar.

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