Começa a
ser um clássico. As televisões enchem as manhãs e as tardes com programas sobre
“envelhecimento saudável”, apresentados com aquele tom professoral de quem
acredita ter descoberto a fórmula da eternidade. Para quem se abeira dos
setenta aquilo é um chorrilho de banalidades embaladas como se fossem
revelações científicas.
Falam de
hidratação como se tivessem reinventado a água, de caminhadas como se tivessem criado as pernas, de “pensamento positivo” como se a vida fosse um exercício de
autoajuda permanente. E tudo isto dito com a solenidade de um Einstein de
pacotilha, convencido de estar a iluminar um público ignorante.
A verdade
é mais simples. O envelhecimento é como tudo na vida: cada um vive‑o à sua
maneira. Com as armas que tem. Com as fragilidades que carrega. Com a coragem
que consegue reunir. E sabendo, desde o início, que a batalha está perdida.
Não há
glamour nisso. Há dignidade. E há uma espécie de sabedoria silenciosa que não
cabe em programas de televisão nem em receitas universais. Cada corpo envelhece
à sua velocidade. Cada memória desgasta-se à sua maneira. Cada medo encontra o próprio
lugar.
Por isso
vale a pena pensar o envelhecimento sem ilusões. Não como derrota, mas como
etapa. Não como espetáculo, mas como verdade. E, sobretudo, sem a arrogância
dos que transformam o óbvio em doutrina.
No fim,
envelhecer é apenas isto: continuar. Mesmo sabendo que o tempo não devolve
nada. E que, apesar de tudo, ainda há dias que valem a pena.

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