Há filmes
de cuja existência se sabe há décadas e que se levam quase uma vida a ver. Sete
Vezes Mulher foi um desses para mim — quase sessenta anos a saber que
existia antes de finalmente lhe dedicar a noite. O resultado não foi
entusiasmo, apesar do argumento de Zavattini e de tantos atores e atrizes a
contracenarem com a hiperpresente Shirley MacLaine.
Sabe-se o
quanto foi complicado para De Sica gerir obra decente a partir do momento em
que o vício do jogo o levou várias vezes à falência, obrigando-o a projetos
apressados e sem verdadeiro empenho — embora o talento nunca deixasse de se
manifestar em pequenos apontamentos, mesmo nos filmes menores. Este é um desses
casos: o talento está lá, disperso, incapaz de se organizar numa obra coerente.
MacLaine
em sete papéis para explicitar outros tantos estereótipos de mulher, tais quais
se imaginavam antes de maio de 1968, não escapa à tentação do overacting em
alguns deles — como se sentisse precisar de compensar pela exiguidade de cada
episódio com um excesso de presença. Os comparsas de cada história parecem, por
seu lado, enfadados com o papel menor que lhes calhou, e esse enfado
transparece.
Não dou o
tempo por mal gasto — aprende-se sempre alguma coisa com os filmes menos bons,
e até nos maus filmes. Mas também nada perdi na minha cinefilia por só o ter
visto agora. Há filmes que a vida adia com justiça.

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