
Estava, porém, a esquecer Saramago cujos textos esparsos, publicados em milhentas publicações a nível mundial e os seus Cadernos de Lanzarote muito ganhariam em ser melhor divulgados, até mesmo em ambientes escolares. Porque, substituindo-se a filósofos singulares, mas algo alucinados como o foi, por exemplo, Agostinho da Silva, Saramago pensou lucidamente a sociedade contemporânea e foi dela crítico acerbo. Vendo, por exemplo, o primado do mercado como uma indesmentível ditadura ou o ser humano como entidade privada de razão, capaz de ver o planeta a caminho da destruição, mas nada alterando no seu percurso apocalíptico como se se tratasse de uma multidão de lemmings suicidas entretidos, igualmente, em irem-se trucidando uns aos outros nesse caminho.
Pagando o custo da sua militância política Saramago anda a ser injustamente ostracizado por quem mais o deveria fazer escritor de conhecimento obrigatório...
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