Não tenho
curiosidade por O Dia da Revelação — e ouvindo o Vasco Câmara e a
Alexandra Prado Coelho falarem da experiência enquanto espectadores vi
confirmado o que há muito sinto sobre a obra de Spielberg: as primeiras são de
um prazer inesgotável, e ele vai minguando à medida que os anos se lhe foram
acrescentando na biografia.
Duel e Tubarão têm a tensão pura
de quem ainda não sabe que é um génio e por isso filma com fome. Depois veio o
sucesso e com ele a solenidade — Schindler foi-me indiferente, Os
Fabelmans um enfado. Há realizadores que crescem com a maturidade e há os
que precisavam da urgência da juventude para serem grandes. Spielberg é dos
segundos.
Quanto à
tese dos extraterrestres entre nós, ela faz lembrar o que os anarquistas
espanhóis pichavam nas paredes há meio século a respeito da existência de Deus:
se andarem por aí o problema é deles. E pelos vistos também do Colin Firth, que
assume o papel de vilão-mor na história — o que é, convenhamos, uma forma
bastante inglesa de gerir uma invasão alienígena.
O cinema
de Spielberg envelheceu ao contrário do bom vinho. O que resta é rever o
tubarão de vez em quando e lembrar como era bom quando ainda havia dentes.

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