domingo, julho 19, 2026

A Lei dos Rendimentos Decrescentes

 


Não tenho curiosidade por O Dia da Revelação — e ouvindo o Vasco Câmara e a Alexandra Prado Coelho falarem da experiência enquanto espectadores vi confirmado o que há muito sinto sobre a obra de Spielberg: as primeiras são de um prazer inesgotável, e ele vai minguando à medida que os anos se lhe foram acrescentando na biografia.

Duel e Tubarão têm a tensão pura de quem ainda não sabe que é um génio e por isso filma com fome. Depois veio o sucesso e com ele a solenidade — Schindler foi-me indiferente, Os Fabelmans um enfado. Há realizadores que crescem com a maturidade e há os que precisavam da urgência da juventude para serem grandes. Spielberg é dos segundos.

Quanto à tese dos extraterrestres entre nós, ela faz lembrar o que os anarquistas espanhóis pichavam nas paredes há meio século a respeito da existência de Deus: se andarem por aí o problema é deles. E pelos vistos também do Colin Firth, que assume o papel de vilão-mor na história — o que é, convenhamos, uma forma bastante inglesa de gerir uma invasão alienígena.

O cinema de Spielberg envelheceu ao contrário do bom vinho. O que resta é rever o tubarão de vez em quando e lembrar como era bom quando ainda havia dentes.

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