De
Nicholas Ray prefiro de longe o Johnny Guitar — politicamente incisivo, disposto
a usar o western como metáfora do macarthismo e da paranoia coletiva, corajoso
na sua subversão dos géneros.
Fúria
de Viver é
outra coisa: um drama sobre três adolescentes perdidos na entrada da idade
adulta, enredados nos conflitos da família e no confronto com um gangue
liderado pelo odioso Buzz — rebeldes sem causa numa América que vivia a ilusão
dos inícios do que seriam os Trinta Anos Gloriosos.
O que o
filme tem de imperecível é James Dean. Jim Stark demonstra o excelente ator que
era quando a morte precoce estava mesmo ali à beira de acontecer — essa
capacidade de habitar a vulnerabilidade masculina numa época em que a
masculinidade não admitia vulnerabilidade, tornando cada cena uma negociação
entre o que sente e o que lhe foi ensinado a não mostrar. É uma interpretação
que o tempo não envelheceu.
Em
contraponto, Natalie Wood era então pouco mais do que uma cara bonita de acordo
com os padrões da época — o filme não lhe pede mais do que isso e ela não
oferece mais do que isso, o que diz tanto sobre a atriz como sobre o modo como
Hollywood tratava as atrizes jovens.
Ray sabia
filmar a desorientação. Nem sempre sabia para quê.

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