sábado, julho 11, 2026

James Dean, Natalie Wood e a América da Ilusão

 


De Nicholas Ray prefiro de longe o Johnny Guitar — politicamente incisivo, disposto a usar o western como metáfora do macarthismo e da paranoia coletiva, corajoso na sua subversão dos géneros.

Fúria de Viver é outra coisa: um drama sobre três adolescentes perdidos na entrada da idade adulta, enredados nos conflitos da família e no confronto com um gangue liderado pelo odioso Buzz — rebeldes sem causa numa América que vivia a ilusão dos inícios do que seriam os Trinta Anos Gloriosos.

O que o filme tem de imperecível é James Dean. Jim Stark demonstra o excelente ator que era quando a morte precoce estava mesmo ali à beira de acontecer — essa capacidade de habitar a vulnerabilidade masculina numa época em que a masculinidade não admitia vulnerabilidade, tornando cada cena uma negociação entre o que sente e o que lhe foi ensinado a não mostrar. É uma interpretação que o tempo não envelheceu.

Em contraponto, Natalie Wood era então pouco mais do que uma cara bonita de acordo com os padrões da época — o filme não lhe pede mais do que isso e ela não oferece mais do que isso, o que diz tanto sobre a atriz como sobre o modo como Hollywood tratava as atrizes jovens.

Ray sabia filmar a desorientação. Nem sempre sabia para quê.

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