Belo o
final do concerto que Christoph Rousset dirigiu no Théâtre du Châtelet para
celebrar os trinta anos dos seus Talens Lyriques! E como não escolher a ária
mais célebre de Les Indes Galantes, uma das peças mais jubilatórias do
barroco francês, música que parece nascer de um impulso vital que atravessa
séculos e continua a surpreender pela energia luminosa que transporta?
Talvez
tenha sido essa jubilação que me levou a aderir ao espetáculo com a mesma
disponibilidade com que se regressa a algo que já se sabe que fará bem, porque
há momentos em que a música barroca funciona como claridade interior, ordem que
se instala sem esforço e devolve ao corpo uma respiração mais lenta.
Eduardo
Prado Coelho dizia escolher este período como banda sonora preferida para as
suas leituras, como se o barroco oferecesse o equilíbrio necessário entre
movimento e contenção, entre exuberância e rigor.
Entendi melhor essa escolha ao ouvir Rousset conduzir a orquestra com precisão que não excluía o prazer, gesto que tornava evidente como esta música continua a ser capaz de suster o tempo e criar um espaço onde a atenção se recolhe, e talvez seja por isso que volto sempre ao barroco com a sensação de reencontro, como se nele houvesse promessa de ordem possível num mundo que tantas vezes se apresenta fragmentado.

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