domingo, maio 31, 2026

Feira do Livro

 

A primeira ida à Feira do Livro, no fim dos anos sessenta, permanece como uma dessas memórias inaugurais que não se apagam. Diante dos pavilhões alinhados na Avenida da Liberdade senti‑me com o deslumbre do Charlie na fábrica de chocolates, cada banca como porta para mundos que ainda não conhecia e me chamavam com a força irresistível das promessas que só os livros conseguem fazer.

Adorava histórias de aventuras, sobretudo de ficção científica, e as naves Apollo aproximavam‑se da tentativa de pousar na Lua, o que tornava cada capa ilustrada com planetas, foguetões ou criaturas improváveis numa extensão natural do que via na televisão.

Teria comprado uma montanha de livros não fosse exíguo o orçamento, limite a escolher com cuidado entre tantas lombadas que me faziam salivar pelo que conteriam.

Ler já era prazer, mas ali tornou‑se destino, gesto que ainda reconheço como uma das maneiras mais seguras de alargar o horizonte quando tudo à volta parece pequeno demais.

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