Há
críticos que informam e há críticos que convencem — e a distinção não é menor.
José Vieira Mendes pertence ao segundo grupo, que é o mais raro, e é por isso
que a sua crítica na Visão sobre Dia D — Sob Pressão, de Anthony
Maras, me fez ganhar interesse por um filme que, a priori, consideraria mais do
mesmo sobre o desembarque na Normandia, um momento que o cinema americano já
tratou tantas vezes que a novidade parecia improvável.
O que
Vieira Mendes faz — e é o sinal dos críticos que muito prezo — não é alinhar
informações sobre a produção e a forma como ela se traduziu no ecrã. É elencar
argumentos que tornam aliciante a descoberta. Ao enfatizar o lado de thriller
meteorológico, desloca o filme do território do épico bélico para outro
registo: o da decisão tomada sob pressão de tempo, de informação incompleta e
de condições atmosféricas que podiam desfazer tudo. Eisenhower a aguardar uma
janela de tempo favorável enquanto milhares de vidas dependiam da leitura
correta de um céu instável — há aí uma tensão que nenhuma batalha filmada
consegue igualar, porque é a tensão do momento anterior, quando tudo ainda pode
não acontecer.
É o tipo
de ângulo que transforma um tema gasto numa entrada nova. E é o tipo de crítica
que cumpre a sua função mais nobre: não substituir a experiência do filme, mas
torná-la necessária.

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