Quase
meio século depois de Don Siegel e Clint Eastwood terem rodado A Fuga de
Alcatraz, em 1979, o caso real que inspirou o filme continua a justificar
especulações: houve quem apostasse no afogamento dos três fugitivos nas águas
geladas da baía de São Francisco, houve quem asseverasse terem-se salvado, e o
FBI só encerrou oficialmente o processo em 1979 — precisamente o ano do filme —
por falta de provas conclusivas em qualquer sentido. O mistério permanece, e é
parte do fascínio.
Siegel e
Eastwood eram uma parceria de convicções ideológicas que hoje lemos com o
distanciamento que o tempo permite: um cinema de lei e ordem, de indivíduos
duros em mundos hostis, pouco dado a questionar as instituições que os seus
heróis habitualmente serviam. A Fuga de Alcatraz é, curiosamente, uma
exceção parcial a essa regra — porque aqui as instituições são a prisão, e o
herói é quem lhes escapa.
Mas o que
importa reconhecer, sem condescendência, é a eficácia com que desenvolviam o
seu produto. O filme continha uma tensão mediante economia de meios que muitos
realizadores com pretensões mais elevadas não atingiam: a rotina prisional
observada com paciência, os detalhes da fuga elencados em camadas, Eastwood
contido e preciso no papel de Frank Morris. Havia uma integridade artesanal
neste cinema que merece respeito independentemente da perspetiva ideológica de
quem o fez.
Os
melhores filmes de género sabem o que são e fazem-no bem. Este é um deles.

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