sábado, agosto 08, 2026

A Eficácia Como Virtude

 


Quase meio século depois de Don Siegel e Clint Eastwood terem rodado A Fuga de Alcatraz, em 1979, o caso real que inspirou o filme continua a justificar especulações: houve quem apostasse no afogamento dos três fugitivos nas águas geladas da baía de São Francisco, houve quem asseverasse terem-se salvado, e o FBI só encerrou oficialmente o processo em 1979 — precisamente o ano do filme — por falta de provas conclusivas em qualquer sentido. O mistério permanece, e é parte do fascínio.

Siegel e Eastwood eram uma parceria de convicções ideológicas que hoje lemos com o distanciamento que o tempo permite: um cinema de lei e ordem, de indivíduos duros em mundos hostis, pouco dado a questionar as instituições que os seus heróis habitualmente serviam. A Fuga de Alcatraz é, curiosamente, uma exceção parcial a essa regra — porque aqui as instituições são a prisão, e o herói é quem lhes escapa.

Mas o que importa reconhecer, sem condescendência, é a eficácia com que desenvolviam o seu produto. O filme continha uma tensão mediante economia de meios que muitos realizadores com pretensões mais elevadas não atingiam: a rotina prisional observada com paciência, os detalhes da fuga elencados em camadas, Eastwood contido e preciso no papel de Frank Morris. Havia uma integridade artesanal neste cinema que merece respeito independentemente da perspetiva ideológica de quem o fez.

Os melhores filmes de género sabem o que são e fazem-no bem. Este é um deles.

Sem comentários: