quarta-feira, outubro 20, 2021

Prisão Maior, Joseph Losey, 1960

 

A exemplo do sucedido com Samuel Fuller e Nicholas Ray, Joseph Losey viu-se proscrito pelos estúdios norte-americanos nos anos 50, que não toleraram a irreverência dos que não se tinham curvado perante os ditames macartistas. A Europa tornou-se terra de exílio de todos eles com Losey a fixar-se na Grã-Bretanha onde muito contribuiu para a renovação do cinema aí produzido.

The Criminal, título original deste filme de 1960, comporta muitas influências do filme negro de além-Atlântico, mas enriquece-se com um realismo sem concessões, que seria depois fértil terreno onde Ken Loach assinaria as suas melhores obras.

Stanley Baker faz de John Bannion, um hábil assaltante, que está prestes a sair da prisão depois de cumprir mais uma pena, e já leva consigo o plano, pensado até ao mais ínfimo pormenor nos três anos anteriores, de roubar as apostas de uma das principais corridas de cavalos previstas para breve.

O que ele não adivinha é quanto mudou o ambiente da delinquência nos anos que estivera dentro da prisão: deixou de haver espaço para o livre empreendedorismo com esse terreno a ser ocupado por organizações sofisticadas, que exploram a iniciativa dos Bannions e logo os trucidam sem qualquer escrúpulo. Entre amores e desamores, traições e acasos, que se tornam pauzinho numa engrenagem, que o protagonista julgava irrepreensivelmente oleada, o desiderato em nada corresponda ao por ele pretendido.

Embora comercialmente tenha sido um fracasso o filme foi incensado pelos realizadores da nouvelle vague, que o tomaram como inspiração para algumas das obras emblemáticas do movimento... 

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