sexta-feira, fevereiro 17, 2023

A Exposição do Mundo Português filmada por um amador

 

Há cerca de dois meses, no âmbito de uma sessão integrada no ciclo «Luz  e Sombras - Representações da Idade Média no Cinema», a Cinemateca projetou O Cortejo do Mundo Português, o filme rodado pelo cineasta amador Carneiro Mendes durante o grande evento organizado pelo Estado Novo em 1940.

São oito minutos de um desfile  captado por um assumido alinhado com o regime, replicando-lhe a intenção propagandística e os valores. Mas o que verdadeiramente interessa nesta peça a cores, de apenas oito minutos, é a demonstrada competência desse engenheiro eletrotécnico que pedia meças aos profissionais de então, daí ganhando proximidade a António Lopes Ribeiro, que aproveitaria algumas destas imagens para a sua própria abordagem panegírica do tema. E dando a ver os rostos dos figurantes, aqueles que sofrendo os efeitos das políticas salazaristas - a pobreza, o analfabetismo - eram utilizados para a criação de uma ilusão de grandeza imperial, que só existia na cabeça dos que a utilizavam para assegurarem a perenidade da ditadura.

quinta-feira, fevereiro 16, 2023

Um planeta que se transforma

 

Agora que a exposição na Cordoaria fechou as portas valeu a pena revisitar a obra fotográfica de Steve McCurry através do retrato cinematográfico dele registado pela câmara de Denis Delestrac, seu amigo há mais de duas décadas. De facto, em McCurry: The Porsuit of the Colour (2021), temos a oportunidade de seguir-lhe o processo criativo feito de viagens para as mais diversas paisagens do planeta, todas elas em acelerada mutação negativa por obra e graça dos homens, que as destroem quer através das guerras (Afeganistão, Líbano, Koweit, o ataque às Torres Gémeas de Nova Iorque), quer das alterações climáticas (Ártico).

Decidido a deixar testemunho à filha de dois anos sobre o mundo tal qual o encontrou, mas para ela muito mudado, há nele uma obsessão, que inibe qualquer vontade de arrumar as câmaras fotográficas e o leva a expor ou a publicar nas principais revistas internacionais as suas retocadas imagens, que tanta celeuma levantaram quanto à justificabilidade, ou não, de serem embelezadas com alguns dos truques do Photoshop.

Noutra abordagem das transformações em curso, o documentário L’Arctique, Une région bouleversée (2021) de Freddie Röckenhaus pretende mostrar como a região mais setentrional do planeta vai resistindo às fortes pressões para se ver despojada da calote gelada.  Como guia, tomamos a ursa Misha e a cria Flocke, na difícil labuta de encontrarem com que sobreviverem num Spitzberg onde as temperaturas aquecem quatro vezes mais rapidamente, que mais a sul.

Pelo meio aparece uma climatologista lusa, Sofia Ribeiro, que estuda as consequências do desaparecimento desse gelo na fauna marítima da Groenlândia. E lá surgem as evidências dos perigos relacionados com o permafrost a descongelar, as matérias-primas a suscitarem a ganância de interesses empresariais e o turismo de massas a conspurcar o que deveria ser tido como verdadeiro santuário. 

quarta-feira, fevereiro 15, 2023

Reminiscências dos tempos marítimos

 

Um documentário sobre o naufrágio do petroleiro Haven na costa da Ligúria em 13 de abril de 1991 suscitou o interesse de reencontrar momentos do passado marítimo, quando furacões ou sinistros a bordo me deram noção da probabilidade de me acontecer algo de definitivo num dos muitos navios em que naveguei em quase todos os oceanos (faltou-me o Antártico) durante vinte e quatro anos.

Felizmente tal não sucedeu apesar dos incêndios a bordo (com ou sem explosões) ou das inesquecíveis memórias de ver as proas afundarem-se nas ondas e, lentamente, as vencerem até ficarem novamente emersas. Nas costas do Adamastor, no Cabo Horn, no Atlântico Norte ou nas monções do Índico foram muitas as situações em que comparei a relativa segurança em que navegávamos nos nossos cascos metálicos em comparação com as cascas de noz de madeira dos antigos navegadores. E, feito o balanço, à distância de duas dúzias de anos entretanto passados desde que me sedentarizei, só posso considerar-me afortunado por nada de irreversível ter sucedido até aqui.

Quanto ao filme em si fica a curiosidade de dar conta das condições excecionais, que limitaram o desastre ambiental causado no Tirreno, e transformaram os seus destroços numa estimulante aventura para quem pratica mergulho. 

terça-feira, fevereiro 14, 2023

O que vale a pena e o que podemos prescindir

 

1. Chegámos a uma altura da vida em que o tempo parece tão breve, que cresce a exigência no que nos possa ocupar os dias. Nas leituras, por exemplo, podemos prescindir de propostas, outrora consideradas como de justificado interesse, mas agora incapazes de nos trazerem algo de substancialmente novo. Por exemplo a biografia recém-publicada sobre a vida e obra do Luiz Pacheco - O Firmamento é Negro e não Azul -, cuja capa se destacava numa livraria onde passeámos os olhos a pretexto de identificarmos as novidades. Muito embora possamo-nos surpreender com o percurso de um filho da média burguesia, fadado para uma vida convencional, às tantas decidido a deixar emprego estável e hábitos respeitáveis para dar livre curso à voracidade sexual e ao alcoolismo, que o tornariam num pária para muitos dos amigos por ele, amiúde, cravados.

Nunca nos tendo sentido gratificados com a sua escrita não é agora, decerto, que o iremos resgatar como autor do nosso particular interesse.

2. Outra a consideração por O Avesso da Pele, romance do brasileiro Jefferson Tenório sobre um filho em busca de um pai, que não conhecera devidamente e nos traz a realidade brasileira de uma negritude condenada a ser vivida na permanente defesa contra agressões tantas vezes sofridas nas mais absurdas circunstâncias.

Eis um autor, cuja obra apetece conhecer!

3. Literariamente também o fascínio pela imaginação de José Eduardo Agualusa que, numa das mais recentes edições da Visão, brindou-nos com um conto sobre personagens que se encontram em duas esquinas do tempo e em lugares geograficamente distanciados. Na sua estranheza o invulgar nome de uma delas (ou serão duas completamente diferentes?) credibiliza a hipótese de viagens no tempo e revelações só admissíveis nas mais engenhosas ficções.

4. Um destes dias voltaremos a procurar a exposição das oitenta obras, que Nikias Skapinakis guardou para si e estão disponíveis para as olharmos no Museu do Chiado. À primeira tentativa batemos com o nariz na porta, porque a inauguração se adiara uns dias.

Normalmente rendido à estética do artista iremos confrontar-nos com a sua assumida busca da essência das coisas, mesmo que, dialeticamente, ele pusesse a hipótese de não terem essência nenhuma e resultar inútil essa indagação. Mas não há como experimentá-la... 

sexta-feira, fevereiro 10, 2023

As Coisas que dizemos, as coisas que fazemos

 

Foi inesperada a surpresa: comecei a ver este filme de Emmanuel Mouret  sem grandes expetativas, apenas com a expetativa de passar um momento agradável com aquilo que um cinema francês de mediana qualidade faculta.

Pouco a pouco, constatei ser algo de diferente, uma fantasia amorosa e sexual ao melhor nível do que Rohmer criou quando nos deu a conhecer o joelho de Claire, pôs a colecionadora a seduzir quem lhe passava ao alcance ou o verão foi estação de súbitos deslumbramentos. Mas com os doces tremores do coração e do corpo a seduzirem com a harmonia do circo sentimental de alguns títulos de Truffaut.

Maxime e Daphné passeiam-se durante um par de dias por uma aldeia e suas cercanias para relatarem as histórias dos amores, que os desiludiram ou encantaram. Sem imaginarem, que essa partilha de confidências constitui uma forma de engate.

A partir daí dão razão aquilo que um site francês (Shangols) descreveu assim: “sem gritos, sem histeria, mas com plena acuidade e minúcia, o filme conta o esgotamento do amor e, ao mesmo tempo, a sua eternidade: todos se enganam, todos traem, todos se deixam, mas todos amam passivamente, desejam-se com ardor e levam o amor muito a sério”. A inconstância das fraquezas sentimentais tornam extraordinário o que se acoita dentro do aparentemente banal. E, no final, presumem-se futuros desencontros nos que parecem estabilizar precariamente em ligações, que se adivinham tão precárias quantas as havidas até então. 

terça-feira, fevereiro 07, 2023

A cinzenta realidade e as impossíveis (?) Utopias

 

A ficção literária continua fértil na possibilidade de questionarmos sobre o mundo em que vivemos.

Romance interessante o de Elena Medel, que lhe valeu o reconhecimento de lho incensarem como o melhor de entre os publicados em Espanha há dois anos. As Maravilhas  começa com uma epígrafe de Philip Larkin, que lhe dá prévio sentido: “clearly money has something to do with life”. E é assim de facto para Maria, Cármen e Alicia, que, apesar de ligadas pelos vínculos do sangue, se tornam estranhas entre si por serem de sobrevivência as preocupações dos respetivos quotidianos, tanto mais que a ela se associa a noção de poder. Perante a necessidade de ganharem o sustento, e onde se alojarem, vão-se distanciando entre si até de pouco valerem os conceitos de mãe ou de filha.

A Espanha vai mudando do franquismo para a acinzentada pertença a um espaço económico europeu, mas onde não mudam as distâncias entre explorados e exploradores, ou entre as mulheres eivadas do desejo de se afirmarem e os homens, que as procuram, de formas diversas, aperrear.

Como tudo poderia ser diferente se a falta de dinheiro não constituísse freio para que os sonhos se realizassem plenamente...

Insatisfação social é também o que sente Kaarlo Vatanen, o protagonista do romance Le livre de Vatanen de Arto Paasilinna. Quando, no regresso de uma reportagem jornalística, atropela uma lebre ele vai floresta dentro à sua procura, tomando-a como companheira de um périplo pelo território finlandês, de sul para norte, que é também uma viagem filosófica sobre os motivos para se ter desencantado da vida urbana. A mesquinhez dos homens vai-se explicitando à medida que os vai contactando no percurso, também marcado por algumas curtas estadias na prisão, acusado de múltiplas infrações. Mas concluindo-se com a definitiva evasão - a que lhe abre o ensejo para viver livremente como, até então, não sucedera.

Outra leitura enunciadora de uma utopia alternativa à da nossa contemporaneidade é a do romance testamentário de Aldous Huxley, escrito em 1961, dois anos antes do seu passamento. A Ilha é o contraponto do Admirável Mundo Novo, porque Pála tem uma sociedade sem exército, nem dinheiro, que põe em causa o cinismo de Will Farnaby, jornalista enviado para a ilha a mando dos que conspiram para lhe reverter o modelo utópico e franquear-lhe o acesso aos que intentam explorar-lhe as ricas jazidas de petróleo sobre que assenta. As abruptas falésias podem servir-lhe de proteção contra os invasores, mas a ganância encontra forma de angariar os apoios para pôr em causa o que aparenta ideal mediante a evidência da igualdade entre quem a habita.

De alguma forma está aqui representado o pessimismo de Álvaro Cunhal quando, no fim da vida, constatava a impossível concretização das ideias por que sempre se batera dada a fatal tendência dos homens para em si albergarem as mais vis características...

 

sábado, fevereiro 04, 2023

Labirintos, piratarias, um regicídio e a vergonha italiana

 

1. Um romance policial de Frédéric Lanoir e Violette Cabesos (La Promesse de l’Ange) e um documentário de Marc Jampolsky (Mont-Saint Michelle labyrinthe de l'archange) andam a compensar da frustração de não regressar a um dos sítios mais impressionantes em tempos, visitado.

Inesquecível aquele dédalo de ruelas, as escadas de acesso às vinte cinco salas distribuídas por vários pisos com muitas passagens secretas pelo meio ou a maré fortíssima, capaz de avançar mais rápida que o galope de um cavalo. Sentem-se ali os quinze séculos de uma história intensa, que fez de um edifício arquitetonicamente improvável, uma sucessiva abadia, fortaleza ou, até, prisão. E, por isso mesmo, incapaz de esgotar-nos a fértil curiosidade.

2. Outro documentário - La Véritable Histoire des Pirates  de Stéphane Bégoin - demonstra-nos existir muito mais história sobre os aventureiros comummente associados às Caraíbas ou ao Golfo do México, porque foca-se nas pesquisas arqueológicas empreendidas por equipas de investigadores em torno de navios naufragados ao largo de Madagáscar ou da Maurícia.

De facto, o oceano Índico foi fértil em flibusteiros apostados em emboscarem navios portugueses e holandeses, provenientes das Índias e do Extremo Oriente. Forma expedita de ingleses e franceses torpedearem os efeitos do Tratado das Tordesilhas de que se tinham visto postos à parte.

O fenómeno da pirataria até se iniciara em terra quando, na costa da Cornualha, as populações costeiras começaram e plantar falsos faróis em terra para atraírem incautos capitães, que viam assassinadas as tripulações e roubadas as respetivas cargas.

Ademais interessante a forma relativamente democrática como os piratas costumavam dividir os saques: igualmente por todos, exceto a parte do capitão, que era a dobrar, sendo ele previamente eleito por todos os companheiros.

E, enfim, a forma contraditória como os piratas cuidavam dos escravos encontrados a bordo dos navios atacados: ora revendiam-nos aos comerciantes, que lhes serviam de recetores das mercadorias, ora os integravam nas respetivas tripulações acaso as sentissem desfalcadas.

3. A pretexto da passagem de mais um aniversário sobre a data do regicídio na rua do Arsenal, a RTP Memória sacou dos arquivos um documentário mal amanhado sobre esse acontecimento recorrendo injustificadamente ao testemunho de familiares do Buíça ou do Costa, que pouco mais sabiam do que o medo de se verem alvo da ameaça de D. Amélia, que prometera matá-los até à quinta geração.

No mais valha-se o reconhecimento das culpas de D. Carlos ao aceitar a ditadura de João Franco e como a implantação da República era apenas uma questão de oportunidade, tão corroída estava a monarquia em insolúveis impasses.

4. Se a população portuguesa vivia então numa atroz miséria melhor não se encontrava a italiana, que procurava libertar-se da lamentável circunstância ao emigrar em sucessivas vagas para o outro lado do Atlântico.

Duas décadas depois do sucedido em Lisboa, a ditadura de Mussolini deportou o médico, pintor e futuro escritor Carlo Levi para o sul de Itália, dando-lhe a conhecer na pele a realidade contra a qual ele começara por combater em função da teoria comunista com que simpatizava, mas a partir de então bem mais visível aos seus olhos.

Solidário com essas populações miseráveis prodigalizou-lhes os cuidados médicos até então delas desconhecidos e ouveiu-lhe as histórias, que transformou literariamente de forma a enquadrem-se nos objetivos literários e políticos dos seus romances. O mais famoso é Cristo Parou em Eboli, que bem merece uma revisita, depois de lido há tantos anos.

O fascínio de Levi por essa Itália do sul ficou-lhe tão incrustado que, ao morrer, quis ficar sepultado em Matera, hoje património da humanidade, mas também vergonha nacional de um país, que tão mal cuidou dos que ali viviam em tugúrios nas suas cavernas.

5. Uma referência final para as novas obras adquiridas para o Museu Nacional de Arte Antiga, que justificam ali regressar para ver as obras de Giordano, Mantegna ou Tintoretto. 

quarta-feira, fevereiro 01, 2023

Envenenaram o maestro que dirigia a Traviata

 

Como entretenimento, Morte no Teatro La Fenice possui todos os ingredientes para me agradar: passa-se numa cidade, que adorei conhecer - Veneza - e tem o ambiente do teatro La Fenice como espaço de investigação do inspetor Guido Brunetti, que se vê incumbido do esclarecimento das circunstâncias em que o maestro Wellauer foi envenenado enquanto dirigia a Traviata.

Encontrado no camarim quando os espectadores acabavam de se sentar depois do intervalo entre o primeiro e o segundo ato da récita, descobre-se-lhe uma personalidade odiosa, passível de se tornar vítima de um dos múltiplos suspeitos. Porque, como Brunetti acaba por descobrir, qualquer um dos que estavam ligados àquela produção - artistas, técnicos ou diretores do teatro - teriam razões mais do que justificadas para serem os criminosos.

Começava com este título a longa carreira do personagem criado pela norte-americana Donna Leon, que vive na cidade dos doges desde 1981, mas recusa a tradução dos seus romances para italiano, supostamente por temer que os vizinhos descubram as incoerências e inverosimilhanças do que coloca nas suas intrigas policiais.

Características evidentes de um personagem, que há quem equipare aos de Agatha Christie, é a de ser casado com Paola, uma aristocrata que lhe facilita o acesso à alta sociedade da cidade onde impera a corrupção, o vício e o turismo de massas. Mas sentir-se mais à vontade junto das camadas populares donde é oriundo. E, colateralmente, ter a acolitá-lo uma cidade, que acaba por ser tão ou ainda mais importante do que os protagonistas e figurantes de cada história.

terça-feira, janeiro 31, 2023

O “Perfeito” Americano segundo Philip Glass

 

Madrugada fora acompanha-me  The Perfect American de Philip Glass, que Phelim McDermott encenou para o Teatro Real de Madrid com o barítono Christopher Purves a protagonizar a versão biográfica de Walt Disney tal qual a revelou Peter Stephan Jungk no romance O Rei da América e tanto incómodo suscitou além-Atlântico por lhe denunciar a personalidade racista e sedenta de poder.

Numa obra em que aparecem Lincoln ou Andy Wharol a cruzarem-se com o criador do Mickey e do Pato Donald, opta-se por ilustrar os seus meses derradeiros, quando o cancro no pulmão se agravava e ele se via assombrado por fantasmas do passado, mormente por uma coruja, que matara quando criança. Época, que poderá explicar em parte - mas não no todo porque a sua índole era, de facto, do piorio! - as atitudes futuras: a de antissemita simpatizante do nazismo, que reagia à marcha para Washington em prol dos Direitos Cívicos com a indigna frase: "Onde leva toda essa liberdade, negros caminhando para Washington, os desajustados que fornicam como coelhos?"

Se Glass assume ter pretendido compor uma viagem poética e trágica sobre quem se aprestava a enfrentar o assustador encontro com a morte, que pretendia adiar mediante a sujeição do corpo moribundo a cuidados criogénicos, a ela ainda lhe acrescenta a misoginia, que o levou a sempre contratar homens para lhe desenharem a bonecada, porque às mulheres não reservava tarefas mais exigentes do que colorirem uns quantos rascunhos.

Compreendo que as críticas norte-americanas não tenham sido particularmente favoráveis a esta criação de Glass, mas quase por certo condicionou-as o incómodo com tão verdadeira versão de um intocável mito norte-americano.

Pessoalmente, e como sucede com quase tudo quanto o compositor criou, estou a adorar!