segunda-feira, junho 06, 2022

Vivian Maier no Alpes

 

Quem tirou esta fotografia a Vivian Maier com os Alpes por fundo onde regressara, aos 24 anos, para receber uma oportuna herança de família? Alguém com quem se cruzou nos seus passeios solitários ou uma secreta amizade, que desmentisse a costela misantropa a ela associada?

Tanto quanto dá para perceber terá encetado por essa altura a secreta atividade de fotógrafa, primeiro de convencionais instantâneos familiares, depois com intenção documental, que a tornaria numa das mais importantes testemunhas das idiossincrasias da burguesia de Nova Iorque e de Chicago na segunda metade do século XX. Mesmo que só depois da sua morte, em 2009, viesse a ser revelada esse intenso labor.

Em Saint-Julien en Champsaur, pequena aldeia do sudeste francês, entre as montanhas e convivendo com os camponeses locais, Vivian quis reter as imagens felizes da infância, quando aí vivera com a mãe, fugida da turbulenta vida conjugal para procurar abrigo junto de familiares no outro lado do Atlântico. Com a Rolleiflex a jovem norte-americana captou quem cumpria os afazeres agrícolas desde o miúdo, que levava as vacas a pastar até ao velho, que sorria para a fotógrafa escondido pela pala do chapéu e pelo bigode farfalhudo. 

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