Uma rocha a rolar montanha abaixo. A agregação de poeiras espaciais a redundar em formas aproximadamente esféricas a que chamamos planetas. A forma de gota assumida pela água a escorrer de uma torneira. O sol e a lua a determinarem as marés dos oceanos. A forma mais bojuda da Terra junto ao Equador. Os efeitos da bola de bilhar tomados pela tacada de um jogador talentoso.
Todas essas singularidades explicadas por uma equação simples: força igual a massa vezes a aceleração. Empurra-se um corpo e ele reage, movendo-se tanto mais quanto maior a intensidade do impulso.
Na conversa com Wim Kayzer no início do milénio, para a maravilhosa série de vinte seis entrevistas com que o jornalista neerlandês quis definir o Belo e a Consolação, o físico Leon Lederman considerou-a a mais bela equação da Física por simbolizar a ordem, a rigidez, a simplicidade e a inevitabilidade que leva a humanidade a dominar o que consegue compreender.
No caso do bem humorado cientista, a quem devemos a expressão de partícula de Deus para designar o bosão de Higgs - embora fosse confessadamente ateu -, o diálogo perante a câmara é delicioso por o sentirmos como um daqueles sábios que, na senda de Richard Feynman, sabia o bastante de quanto investigara para ser capaz de pôr a avó analfabeta a compreender os princípios da mecânica quântica.
Perturbadora a forma como acabou por morrer em outubro de 1988, mesmo que quase centenário: demente nos últimos anos viu-se obrigado a vender a medalha do Nobel atribuída em 1988 para cobrir as avassaladoras despesas médicas.
Razão para concluir que, nem a sabedoria, nem o excelente feitio, servem de vacina quando a memória nos trai...
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