sexta-feira, outubro 18, 2024

Notas de Rodapé (XV) - Quando a realidade demonstra o acerto das teorias emancipadoras

 

Datado de 1954 o quadro de Carlo Levi exposto numa galeria de Turim, demonstra bem quanto o autor de Cristo parou em Eboli foi um intelectual versátil, que aliou o talento par a escrita e a pintura com uma ativíssima militância antifascista.

Exilado no sul de Itália em 1935 ele foi o exemplo lapidar de quem conhecia as teorias socialistas, mas desconhecia quanto sentido faziam quando ajustadas à realidade concreta da vida dos mais desfavorecidos.

Na Basilicata, particularmente em Matera, descobriu quanto era difícil a vida de gente inculta e sem capacidade para assegurar a mais básica sobrevivência. Daí a constatação de Cristo ter parado em Eboli por aquela gente, com que tanto simpatizou, ser ignorada pelos governos, que lhes deveriam propiciar o pão, a saúde, a educação e a habitação, mas até pelos deuses perante cujo culto era instada a submeter-se.

Carlo Levi deve ser recordado como notável exemplo de uma geração, que soube utilizar as artes como ferramenta para transformarem a relação de e exploração dos humilhados e ofendidos por quantos, com mais ou menos fascismo à mistura (meloniano na versão atual), continuam a alimentar a sua inesgotável ganância.

De alguma forma Nanni Moretti, com incansável labor de cineasta, faz figura de Dom Quixote capaz de lhe pegar no testemunho e investir contra o que são inimigos mais corpóreos do que os anódinos moinhos de vento.

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