
Ela já ouvira falar desse jovem lobo da arte local, mas quem melhor descreveu o encontro entre ambos foi o fotógrafo Brassai, que ouviu o testemunho de Oskar entre 1930 e 1931.
O pintor disse-lhe mais ou menos isto: “Era tão bela e sedutora sob o seu véu de viúva! Encantou-me de imediato! E ela também não pareceu ficar indiferente à minha pessoa! Por isso, logo após o jantar, tomou-me o braço e conduziu-me à sala ao lado, onde interpretou o ‘Liebestodt’ em minha intenção”.
Ora, “Liebestodt” significa a “morte do amor” e fora o título escolhido por Richard Wagner para o lindíssimo Prelúdio de «Tristão e Isolda», convertendo-se no nome atribuído a todas as peças musicais cujo tema fosse a morte de amantes por assassinato, desespero ou suicídio.

Kokoschka não resistiu a uma tal declaração amorosa. Ele, que considerava o amor como uma guerra, misturando a pulsão da vida e da morte, nada de mais inebriante poderia ter do que o “Liebestodt”. Na sua autobiografia reconheceria: “Estava fascinado por ela. Perturbava-me. Ficámos inseparáveis depois dessa noite.”.
Alma consegue, assim, um fervoroso amante em conformidade com o que sempre alimentara em sonhos. Mas recusa comprometer-se, por o considerar violento, ciumento, possessivo e obsessivo.

Algo assustada com tais bizarrias, Alma distancia-se tanto mais que a mãe de Oskar faz-lhe esperas à porta para, sob a ameaça do revolver, para a impedir de voltar a ver o filho.
Opondo-se à visão caótica dele sobre o amor, Alma porta-se como musa, exigindo ao amante uma obra-prima, que o torne merecedor de a desposar.
Desafiado, o pintor adquire um ritmo frenético, muito embora ela se torne cada vez mais naquela com quem ele não consegue viver nem criar. Quere-a só para ele, como uma virgem, pintando-a soba forma de Madonna, de mãe imaculada, ou seja tudo aquilo que ela execrara em Mahler. Por isso Alma torna-se ainda mais boémia, convivendo com os seus numerosos pretendentes.
Sem comentários:
Enviar um comentário