Amélie Nothomb dá sempre a ideia de escrever facilmente. Fala de si, das suas obsessões e é como se ligasse o piloto automático. Daí que a sua bibliografia já conte com dezenas de títulos, todos eles a parecerem contribuir para a sua autobiografia.
Em «Une Forme de Vie», romance datado de 2010, temo-la em correspondência epistolográfica com um soldado norte-americano em Bagdad, Melvin Mapple, que a comove com o seu problema: como consequência do stress motivado pelo ambiente em que está mergulhado, come incessantemente, de tal forma que já terá atingido os cerca de duzentos quilos de peso.
A essa excrescência de si mesmo ele dá o nome de Scherezade, encarando-a de forma sensual, muito embora se confesse de todos incompreendido devido ao seu aspecto grotesco.
Os meses vão passando e o súbito silêncio de Melvin inquieta Amélie, que investiga a probabilidade de algo funesto lhe ter acontecido. Mas o que descobre deixa-a boquiaberta: toda a história de Melvin assentava numa fraude já que ele nunca deixara o seu quarto junto à garagem dos pais em Baltimore aonde deixara crescer o seu volume devido à sua forma obsessiva de encarar a relação com o seu computador.
Para Amélie, que está em vias de ir ao seu encontro nessa cidade norte-americana a única forma de evitar tal incómodo residirá em dar-se como terrorista e portadora de uma bomba atómica no questionário a que tem de responder no voo até ao outro lado do Atlântico.
Uma vez mais, finda a sua leitura, os romances de Amélie Nothomb revelam-se como meros divertimentos tipo melhoral: nem fazem bem, nem mal...
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